Queda no Trabalho Infantil no Brasil: Redução de 9,2% em um Ano

O Brasil registrou, em 2025, 1,499 milhão de crianças e adolescentes em trabalho infantil, correspondendo a 4% da população brasileira de 5 a 17 anos. Esses dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

O IBGE define trabalho infantil como qualquer atividade econômica remunerada ou trabalho para autoconsumo realizado por crianças até 13 anos. Para os adolescentes com idades entre 14 e 17 anos, considera-se trabalho infantil qualquer ocupação que não se enquadre nas condições permitidas: adolescentes de 14 e 15 anos podem atuar apenas como aprendizes, enquanto aqueles de 16 e 17 anos podem trabalhar, desde que tenham carteira assinada e não exerçam atividades consideradas insalubres, perigosas ou em horários noturnos.

Em comparação com 2024, quando 1,65 milhão de crianças e adolescentes se encontravam nessa situação, a redução de 9,2% é significativa. Em relação a 2016, quando o número era de 2,1 milhões (5,2% da população), a queda totalizou 28,6%.

De 2016 a 2019, o trabalho infantil teve uma diminuição de 15,7%. Contudo, em 2022, houve um aumento de 7%, atribuído em parte aos impactos da pandemia de covid-19. No entanto, observou-se uma nova queda de 14,7% de 2022 para 2023, seguida por uma leve alta de 2,1% de 2023 a 2024.

O pesquisador do IBGE, Gustavo Fontes, destacou que diversos fatores contribuíram para essa redução de 9,2% no último ano. Políticas públicas, incluindo iniciativas do Ministério Público do Trabalho, são relevantes nesse contexto. O Programa Bolsa Família, que garante uma renda mínima às famílias, também pode ter desempenhado um papel importante, além de um mercado de trabalho aquecido, com a taxa de desocupação atingindo níveis historicamente baixos e um aumento na renda domiciliar per capita em 2025.

A média dos rendimentos per capita dos domicílios que possuem crianças e adolescentes de 5 a 17 anos é um aspecto destacado na pesquisa. Entre os 37,8 milhões de jovens nessa faixa etária, 42,1% (equivalente a 15,9 milhões) realizavam atividades domésticas não remuneradas e/ou cuidavam de pessoas.

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