O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) anunciou a prorrogação por mais um ano do inquérito civil que investiga as causas da severa seca que afeta o Rio da Prata, localizado em Jardim, município vizinho a Bonito, um dos principais polos turísticos do estado. A investigação, iniciada em 12 de julho de 2024, busca aprofundar a análise dos impactos ambientais e a possível relação com atividades humanas irregulares na região da cabeceira do rio.
A decisão de estender o inquérito foi formalizada pela Promotora de Justiça Substituta Laura Alves Lagrota, que justificou a necessidade de concluir diligências em andamento, incluindo a verificação do restabelecimento do fluxo hídrico na área afetada.
O Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim foi requisitado a avaliar a situação em até cinco dias e, se necessário, providenciar a realocação de espécimes da fauna aquática que possam estar isolados.
Paralelamente à investigação, uma operação de resgate emergencial foi realizada para salvar peixes presos em poças no leito seco do rio. Voluntários, com autorização e acompanhamento do MPMS, resgataram 148 peixes de diversas espécies, que foram transferidos para áreas mais profundas do rio. A ação evidenciou a gravidade da crise hídrica e a importância da atuação rápida das instituições.
Segundo a Promotora de Justiça, o trabalho do MPMS tem sido crucial tanto para autorizar as operações de resgate quanto para conduzir a investigação sobre as causas da interrupção do fluxo hídrico. O inquérito já conta com informações da Polícia Militar Ambiental e do Instituto Guarda Mirim Ambiental de Jardim.
A operação de resgate envolveu técnicos do Instituto Guarda Mirim, policiais ambientais, funcionários de uma fazenda local e representantes do setor turístico. Entre os animais resgatados, estavam 76 lambaris, 36 curimbas, 10 piraputangas, 5 traíras, 8 pacus-péva, 6 joaninhas e 7 canivetes.
O Instituto informou que o alerta sobre a situação do rio foi emitido no início de setembro. Devido ao calor intenso, a intervenção tornou-se urgente para evitar um desastre ambiental ainda maior.
A crise hídrica no Rio da Prata, e em outros rios da região como o Rio Miranda, ressalta a necessidade de medidas estruturais e um planejamento ambiental sustentável. A atuação do MPMS, tanto na investigação quanto no apoio às ações emergenciais, é fundamental para a preservação dos ecossistemas locais e para a busca de soluções em conjunto com outras instituições, organizações da sociedade civil e o Conselho do Meio Ambiente, visando a gestão adequada da microbacia do Rio da Prata.






