Os senadores brasileiros estão se preparando para uma disputa acirrada em 2026. De acordo com um levantamento feito pela coluna, 16 senadores já sinalizam que vão deixar o Congresso para disputar governos estaduais. Isso ocorre em um contexto de renovação de 54 das 81 cadeiras do Senado, o que pode levar a uma reconfiguração do cenário político nacional.
Entre os senadores que já expressaram interesse em disputar governos estaduais estão Alan Rick (Acre), Omar Aziz (Amazonas), Marcos Rogério (Rondônia), Professora Dorinha (Tocantins), Eduardo Gomes (Tocantins), Renan Filho (Alagoas), Eduardo Girão (Ceará), Efraim Filho (Paraíba), Ciro Nogueira (Piauí), Cleitinho (Minas Gerais), Rodrigo Pacheco (Minas Gerais), Wilder Morais (Goiás), Wellington Fagundes (Mato Grosso), Jayme Campos (Mato Grosso), Izalci Lucas (Distrito Federal), Sergio Moro (Paraná).
O consultor político Humberto Frederico alerta que ser bem avaliado no Senado não garante sucesso em uma disputa pelo Executivo estadual. De acordo com ele, o fator ideologia pode influenciar a percepção do eleitor, mas não é suficiente para assegurar votos. “O fator ideologia, em alguns estados, vai ser importante. Muitos desses senadores estão tentando mostrar para os eleitores, por exemplo, o senador que é de direita, ele está tentando mostrar para os eleitores que ele pode ser um bom governador justamente por ser de direita. Mas só isso não vai bastar. Porque lá na ponta, quem está vivendo o Estado, quem está vivendo os problemas do seu Estado, ele quer saber a digestão, ele quer saber até onde esse senador, apesar de ele aprovar o mandato desse senador no Congresso Nacional, ele ainda tem dúvida se esse mesmo senador vai conseguir cuidar da saúde, cuidar da educação e principalmente da segurança pública.”
Humberto Frederico ressalta que o eleitor avalia a capacidade de gestão do candidato. “Nós vamos ver senadores bem avaliados passando dificuldade nos seus estados na candidatura ao governo do estado se ele não conseguir transferir para o eleitor essa capacidade de gestão. É importante observar qual é o nível de contentamento e descontentamento do eleitor. A eleição para o Senado e também para o governo do Estado vai mostrar até onde o eleitor está satisfeito com aqueles que foram eleitos há quatro anos.”
A disputa pelo governo estadual será fortemente influenciada pelas realidades locais de cada região. No Norte, estados como Amazonas e Acre enfrentam problemas estruturais, incluindo saúde e segurança pública, que podem pesar na avaliação do eleitor. Rondônia e Tocantins exigem que os senadores demonstrem experiência em gestão local, além do histórico político no Congresso.
No Nordeste, a complexidade é ainda maior. Estados como Piauí e Ceará apresentam desafios econômicos e sociais que colocam os candidatos sob o escrutínio direto do eleitor. A capacidade de transferir o prestígio no Senado para resultados concretos na gestão estadual será decisiva.
No Centro-Oeste, a disputa é marcada pela diversidade. Minas Gerais tem forte competitividade interna, enquanto Goiás e Mato Grosso demandam experiência em gestão agrícola e infraestrutura. No Distrito Federal, a atenção estará voltada à relação com a União e ao impacto das políticas federais.
No Sul, Paraná concentra atenção nacional, com Sergio Moro como destaque. A disputa tende a ser influenciada pela segurança pública e economia local, temas centrais para o eleitorado.
A saída de senadores para disputar governos estaduais, somada à eleição de 54 cadeiras, deve provocar uma reconfiguração do Senado e impactar diretamente as alianças partidárias e a política nacional a partir de 2027.



