As tensões geopolíticas no Oriente Médio estão gerando impactos diretos nas projeções para o mercado de energia, custos agropecuários e inflação de alimentos no Brasil. Uma análise do Rabobank destaca que o Índice de Commodities do Banco Central, o IC-Br Energia e Agropecuário, o IPA-M agropecuário e a inflação da alimentação em domicílio foram afetados pelas estimativas de energia, insumos e commodities, levando em consideração o conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz.
A principal alteração observada ocorre no mercado de energia. O conflito na região elevou os prêmios de risco associados ao petróleo e ao gás, resultando em um aumento significativo do IC-Br Energia no início de 2026. Com o preço do Brent em torno de US$ 107 por barril no segundo trimestre de 2026, as projeções indicam uma nova alta para o índice ao longo do ano, especialmente com a expectativa de que o Estreito de Ormuz permaneça fechado durante o verão no hemisfério norte. A reabertura da rota é considerada mais provável para setembro, com uma normalização gradual prevista para 2027.
Os números do IC-Br Energia refletem essa tendência. O índice, que registrou uma queda de 22,9% em janeiro em relação ao ano anterior, subiu para uma alta de 7,1% em março, evidenciando a disparada dos preços de petróleo e gás após o fechamento da rota. Para o final de 2026, a estimativa é de um crescimento de 41,6% em comparação anual, enquanto em 2027, com a reabertura do Estreito, projeta-se uma queda de 7,4% até o fim do ano.
A pressão sobre os custos de produção agropecuária também tende a aumentar. Os preços de energia, frete e fertilizantes devem subir em função do cenário de maior risco geopolítico e da alta do petróleo. A análise aponta para uma reversão do IPA-M Agrícola, com um aumento projetado de 1,7% em 2026 e de 1,6% em 2027.
Os impactos sobre a alimentação no domicílio devem variar conforme o tipo de produto. Os itens in natura poderão apresentar maior volatilidade e sensibilidade a choques de custo, enquanto produtos semi-elaborados e industrializados devem ter um repasse mais gradual, mitigado por estoques, contratos e uma maior diversificação de custos. Esse comportamento sugere efeitos diferenciados sobre o índice cheio nos próximos trimestres.
Além disso, o trigo está enfrentando recuo devido ao cancelamento de exportações. O cenário complexo do mercado agropecuário, com as oscilações nos custos e nas projeções, continua a exigir atenção especial dos produtores e consumidores. As atualizações constantes são necessárias para entender as dinâmicas desse setor essencial para a economia brasileira.






