Terezinha Pantaneira, após enfrentar um câncer e as sequelas da Covid-19, dá início a uma nova etapa em sua vida ao estrear como protagonista no curta-metragem sul-mato-grossense "A Trovadora e a Poeta". Com 77 anos, sua pré-estreia ocorrerá na quinta-feira (28) na Casa de Ciência e Cultura da UFMS, em Campo Grande. O evento incluirá um cine-debate sobre temas como envelhecimento, ancestralidade e a troca de saberes entre diferentes gerações.
No filme, Terezinha interpreta uma versão de si mesma, retratando uma senhora cadeirante que transforma as dificuldades da vida em poesia popular. Sua personagem interage com Lucila, uma jovem indígena que acaba de chegar à Capital, interpretada pela atriz e roteirista Gleycielle Nonato Guató. O curta-metragem mistura elementos de ficção e realidade, explorando o encontro de duas mulheres com histórias distintas, mas conectadas através da palavra e da resistência.
"Quando fui convidada, aceitei de pronto visando manifestar uma existência de forma poética, no enfrentamento das dificuldades da vida", revelou Terezinha. Ela também destacou a importância de conhecer Gleycielle, o que a fez encontrar a poesia nas tradições ancestrais e na luta pela preservação dos costumes. Gleycielle, por sua vez, expressou uma forte identificação com sua personagem, que leva o nome de sua avó e simboliza muitas mulheres indígenas que enfrentam preconceitos e buscam realizar seus sonhos sem perder a essência.
O curta-metragem é dirigido e co-roteirizado por Marcus Teles, que enfatiza que o filme foi desenvolvido a partir das experiências de vida das protagonistas. "A Terezinha aguardou 77 anos para mostrar ao mundo a atriz que existia dentro dela. Já a Gleycielle traz a força da ancestralidade Guató e uma poesia pantaneira única", afirmou Teles, ao referir-se ao encontro das duas mulheres que vêm das bordas do Pantanal.
O pesquisador Eduardo Ramirez Meza, coordenador do projeto Compartilhando Saberes entre Gerações, comentou que o filme convida o público a refletir sobre a dignidade e a escuta em relação às pessoas idosas. Ele questionou quais barreiras ainda existem para um envelhecimento digno e quais saberes estão presentes fora dos ambientes acadêmicos tradicionais.
Além da exibição do curta, o evento contará com um debate que envolverá o elenco, a direção e professores convidados da UFMS. A entrada é gratuita e o local tem capacidade para 70 pessoas, sendo recomendada a pré-inscrição online, embora a entrada seja permitida por ordem de chegada.






