O Brasil registrou um aumento no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024. Um levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que 1,65 milhão de brasileiros entre 5 e 17 anos estavam nessa condição no ano passado. Esse número representa um acréscimo de 34 mil jovens (2,1%) em comparação com 2023.
Apesar do aumento recente, a pesquisa indica uma queda de 21,4% no período entre 2016 e 2024. Em 2024, o percentual geral de crianças e adolescentes nessa situação atingiu 4,3%, um valor ligeiramente acima dos 4,2% registrados em 2023, mas abaixo dos 4,9% de 2022 e dos 5,2% de 2016.
De acordo com o levantamento, a maior parte das atividades realizadas por essas crianças e adolescentes (54,1%) envolve afazeres domésticos e/ou cuidados de pessoas. Entre as faixas etárias, a proporção de adolescentes de 16 e 17 anos em trabalho infantil é a mais alta, passando de 14,7% em 2023 para 15,3% em 2024.
O trabalho infantil impacta negativamente a educação. Enquanto 97,5% da população total de 5 a 17 anos frequenta a escola, entre aqueles em situação de trabalho infantil, esse percentual cai para 88,8%. A disparidade é ainda maior na faixa de 16 e 17 anos: 90,5% do total frequentam a escola, contra apenas 81,8% dos que trabalham. Adolescentes de 16 e 17 anos dedicam um tempo considerável ao trabalho, com quase metade (49,2%) trabalhando pelo menos 25 horas semanais e 30,3% dedicando 40 horas ou mais.
A pesquisa aponta que 69,4% dos adolescentes de 16 e 17 anos estão na informalidade. Jovens dessa faixa etária em informalidade são classificados como em situação de trabalho infantil, independentemente da ocupação ou carga horária.
Em relação à distribuição regional, o Nordeste e o Sul registraram os maiores aumentos na quantidade de crianças e adolescentes em trabalho infantil em relação a 2023, com variações de 7,3% e 13,6%, respectivamente. A Região Norte, por sua vez, apresentou a queda mais intensa, de 12,1%. No período de 2016 a 2024, o Nordeste registrou a maior redução (27,1%), enquanto o Centro-Oeste foi a única região a ter um aumento no contingente de trabalhadores infantis (7,0%).
O levantamento também traça o perfil das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024: 66,0% eram pessoas negras ou pardas, enquanto 32,8% eram brancas. A maioria (66,0%) era do sexo masculino. O contingente de crianças e adolescentes nas piores formas de trabalho infantil atingiu o menor patamar da série histórica em 2024, com 560 mil pessoas.
Nos domicílios que recebem o benefício do Bolsa Família, 5,2% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil, uma proporção ligeiramente superior à média nacional de 4,3%.





