A sessão da Câmara Municipal de Campo Grande foi palco de uma “treta” entre as bancadas do PT e do PL durante a discussão sobre a presença da funkeira Valesca Popozuda em um bloco de Carnaval da cidade. O vereador André Salineiro (PL) criticou a artista, afirmando que a letra de uma de suas músicas é “pornográfica” e estimula a hipersexualização, citando o trecho “Meu C é seu, meu C é seu, quando você foi até o fim doeu”.
O vereador Jean Ferreira (PT) saiu em defesa dos blocos de Carnaval e criticou a associação das festividades à sexualização infantil, lembrando que 80% dos casos de violência contra crianças ocorrem dentro de casa. Ele também destacou que o investimento no show de Valesca foi privado e que há equipes do Conselho Tutelar e da Polícia Militar atuando no Carnaval para garantir a segurança.
A vereadora Ana Portela (PL) criticou o uso de verba pública, ressaltando que a posição não era contrária ao Carnaval em si, mas sim ao uso de recursos públicos para financiar o evento. Ela afirmou que Campo Grande tem problemas sérios e que o recurso poderia ser investido em outras pautas.
A representante do ABC (Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande), Silvana Valu, defendeu que os blocos têm direito a receber verba pública por se tratar de evento cultural que movimenta a economia. Ela também destacou que a contratação da artista foi feita com dinheiro privado e que o show não é voltado para crianças, que têm programação própria de matinê.
A discussão ocorreu após fala de Silvana, convidada por Jean para discursar na tribuna sobre a importância do Carnaval de rua. Ela reiterou que os blocos têm direito a receber verba pública e pediu que os vereadores não criminalizem a festa ao associá-la à sexualização de crianças.



