Trump-Tarifas Impactam Exportação de Carne e Empregos em Campo Grande

Campo Grande se destaca no cenário industrial de Mato Grosso do Sul, com a construção civil e a indústria de proteína animal impulsionando a geração de empregos e o aumento do salário médio na capital. No entanto, a imposição de novas tarifas, conhecidas como Trump-tarifas, sobre produtos exportados para os Estados Unidos, incluindo a carne bovina, tem gerado preocupação.

As exportações de Campo Grande para os EUA concentram-se principalmente na carne in natura, com a JBS figurando como a principal empresa exportadora e empregadora do setor na região. Em 2024, o setor de abate e fabricação de produtos de carne contabilizava 5.293 empregos formais, distribuídos em 37 empresas, com um salário médio de R$ 2.944. A JBS, sozinha, empregava 4.785 pessoas.

Apesar da taxação, implementada em agosto, a JBS, por possuir mercados diversificados, pode mitigar o impacto redirecionando a produção para outros países e para o mercado interno. Embora as exportações não gerem impostos diretos para o município, elas influenciam indiretamente a economia local, afetando empregos, transporte, empresas terceirizadas e a dinâmica produtiva.

Dados de 2025 mostram que as exportações totais de Campo Grande variaram entre US$ 48 milhões e US$ 62 milhões mensais, enquanto as exportações para os EUA oscilaram entre US$ 6,9 milhões e US$ 16,7 milhões, representando de 14% a 30% do total exportado.

A economia de Campo Grande, consolidada nos setores de serviços e comércio, demonstra resiliência, absorvendo os possíveis efeitos negativos na indústria de carne. No âmbito estadual, a indústria de Mato Grosso do Sul possuía 160.150 empregos formais em 2024, com Campo Grande respondendo por 26% desse total, liderando a geração de empregos industriais no estado.

Em 2024, Campo Grande contabilizava 2.876 indústrias, empregando 41.576 pessoas formalmente, com um salário médio de R$ 2.802. A construção de edifícios empregava 6.010 pessoas, enquanto o setor de abate e fabricação de produtos de carne empregava 5.293.

O setor de serviços consolida a vocação da capital, oferecendo infraestrutura para atrair investimentos industriais, comerciais e novos serviços. No primeiro semestre de 2025, Campo Grande liderou a geração de empregos formais no estado, com 6.307 novas vagas, e a abertura de empresas, com 10.759 novos CNPJs. A confiança empresarial se recuperou, o consumo das famílias cresceu e foram anunciados investimentos superiores a R$ 2 bilhões, incluindo a criação de 2.500 empregos até 2030 pelo Grupo Evo.

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