veja carências dos moradores das favelas de MT

Mato Grosso tem 81.683 pessoas vivendo em favelas ou comunidades urbanas, segundo dados do Censo Demográfico 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nessa sexta-feira (5).

Favela mato grosso foto arquivo da internet
Conheça principais carências dos moradores de favelas e comunidades de MT. – Foto: Arquivo da internet

Embora representem apenas 2,2% da população do estado que é calculada em 3.893.659 de pessoas, esses moradores enfrentam graves carências na infraestrutura urbana, especialmente no que diz respeito a pavimentação, drenagem, mobilidade e acessibilidade.

O levantamento foi feito com base em 31.763 domicílios localizados em 58 favelas e comunidades urbanas do estado, entre 1º de agosto e 28 de outubro de 2022, período em que os recenseadores visitaram domicílios de todas as regiões do Brasil. Confira abaixo as principais carências do moradores de favelas ou comunidades de Mato Grosso:

A pavimentação é uma das principais carências apontadas pelo IBGE. Mais da metade desses moradores, que corresponde a 43.191 pessoas, ou 52,9%, vive em vias sem asfalto.

Outro ponto crítico é a falta de drenagem urbana. Segundo a pesquisa, apenas 36% dos moradores desses territórios em Mato Grosso (29.426 pessoas) vivem em locais com bueiro ou boca de lobo, deixando a maior parte da população exposta a alagamentos, erosões e acúmulo de água. Fora das favelas, o índice de cobertura chega a 61,1%.

Entre os elementos de acessibilidade, os problemas são ainda mais evidentes. Apenas 1.960 moradores (2,4%) têm acesso a calçadas sem obstáculos, consideradas adequadas para circulação segura. A presença de rampas para cadeirantes também é reduzida: somente 7.083 pessoas (8,7%) vivem em trechos onde esse recurso existe. Apesar de ser um dos maiores percentuais entre os estados, o índice segue muito distante do ideal e indica limitações importantes para pessoas com mobilidade reduzida.

Quando se trata de pontos de ônibus, a precariedade é generalizada. Só 2,6% dos moradores, ou 2.089 pessoas, vivem próximos de paradas de transporte coletivo sinalizadas. Esses trechos estão todos concentrados em Cuiabá, deixando a maior parte dos moradores de favelas no estado sem acesso adequado ao transporte público formal.

A mobilidade por bicicleta também é praticamente inexistente. Somente 75 moradores, o equivalente a 0,1%, vivem em vias que possuem sinalização cicloviária, o terceiro menor índice do país.

Embora a arborização apresente números mais positivos, com 68,9% dos moradores vivendo em vias com árvores, o conjunto geral da pesquisa indica que as carências estruturais predominam e moldam a experiência urbana de quem vive nesses territórios.

Para o IBGE, o retrato revela desigualdades profundas e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas especificamente à qualificação do ambiente urbano nas favelas e comunidades de Mato Grosso.

Entenda a classificação

O IBGE define Favelas e Comunidades Urbanas como áreas marcadas por insegurança jurídica da posse, associada a pelo menos um dos seguintes elementos: ausência ou precariedade de serviços públicos essenciais, como iluminação, água, esgoto, drenagem e coleta de lixo; presença de edificações e arruamentos autoproduzidos, fora dos padrões urbanísticos oficiais; ou localização em áreas de restrição ambiental ou urbanística, como margens de rodovias, linhas de transmissão ou regiões sujeitas a riscos geológicos, hidrológicos e climáticos.

Segundo o presidente da Central Única das Favelas (Cufa) em Mato Grosso, Anderson Zanovello, as regiões consideradas favelas no estado precisam de infraestrutura, saneamento básico, energia elétrica e seus moradores estão em desvantagem econômica.

“Cada região chama de algum nome, região Norte chamam de grotas, por exemplo. Aqui no nosso estado algumas pessoas chamam de comunidades, mas o termo correto, reconhecido pelo IBGE, é Favelas. Em Cuiabá e Várzea Grande, há os chamados invasão ou grilo, esses lugares são favelas. E esses territórios, quando alcançam uma porcentagem mínima de escritura pública ou saneamento básico, deixam de ser chamados de favelas e são chamados de bairros. Só que a grande maioria dos seus moradores ainda estão em desvantagem econômica do que outros territórios. Falta infraestrutura, saneamento básico, energia elétrica”, disse ao Primeira Página.

  1. Empreendedora de MT garante vaga em reality da Globo após se destacar na Expo Favela

Primeira Pagina

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest