A equipe de monitoramento do Instituto Arara-Azul, referência na conservação da espécie ameaçada de extinção, registrou em vídeo o primeiro voo de um filhote de arara-azul no Pantanal de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul.
Segundo os pesquisadores, o filhote havia acabado de ser devolvido ao ninho após passar por procedimentos de rotina, que incluíram a coleta de material biológico, a colocação de anilha, um nanotransmissor (nanoship) e uma medalha de identificação.
Pouco depois, a jovem ave protagonizou um momento considerado raro e simbólico para o monitoramento da espécie.
De acordo com a equipe, é comum que os filhotes demonstrem insegurança ao tentar o primeiro voo. No entanto, com a presença dos pais por perto, vocalizando de forma insistente para estimular a cria, o filhote ganhou confiança e conseguiu alçar voo.
O momento foi acompanhado atentamente pelos adultos, que permaneceram sobrevoando a área do Cerrado-Pantanal.
O registro foi feito pelos pesquisadores Cézar Corrêa, David Ledesma e Willian Sanabria, que comentam no vídeo que o filhote respondeu aos chamados dos pais, reforçando o comportamento de cuidado e interação familiar característico da espécie.
Sobre a arara-azul

De acordo com o Instituto Arara-Azul, as araras-azuis são aves altamente sociais, que vivem em família, bandos ou grupos, sendo raro encontrá-las sozinhas em vida livre. A espécie pode atingir até 1 metro de comprimento, da ponta do bico à extremidade da cauda, o que a torna a maior da família Psittacidae no mundo.
Os adultos podem pesar até 1,3 quilo, enquanto os filhotes chegam a atingir até 1,7 quilo no período de pico de peso.
Embora não seja possível estimar com precisão o tamanho original da população, sabe-se que a arara-azul era abundante no início do século passado. Atualmente, no entanto, estima-se que existam mais indivíduos em cativeiro do que em ambiente natural.
Registros da ocorrência da espécie em vida livre concentram-se hoje em três regiões: o Pantanal, os “Gerais” ou Brasil Central (abrangendo os estados de Tocantins, Goiás, Piauí, Maranhão, Bahia e parte de Minas Gerais) e o Norte do Brasil.
A arara-azul é classificada como Vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e como Quase Ameaçada (NT) pelo Ministério do Meio Ambiente, conforme avaliação de 2018.



