O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez uma grave denúncia no sábado, acusando os Estados Unidos de violar a soberania colombiana e de assassinar um pescador em águas territoriais do país. A declaração foi feita em meio à crescente tensão em relação à presença militar dos EUA no Caribe, região próxima à Venezuela, onde Washington intensificou suas ações contra o tráfico de drogas.
Segundo Petro, o pescador Alejandro Carranza foi morto durante uma operação militar dos Estados Unidos. Ele nega qualquer ligação da vítima com o narcotráfico, afirmando que a atividade diária de Carranza era a pesca. O presidente colombiano questionou a ação, relatando que a embarcação do pescador estava à deriva, com o sinal de avaria ativado devido a problemas no motor, e exigiu explicações do governo dos EUA.
Familiares confirmam a versão de Petro. Um parente de Carranza, identificado como Audenis Manjarres, afirmou que a vítima era pescador e que reconheceu a embarcação em vídeos divulgados sobre um ataque militar em alto-mar. Manjarres relatou que pescadores da região estão com medo de trabalhar devido aos recentes acontecimentos.
A Marinha dos Estados Unidos alega ter matado pelo menos 27 supostos narcotraficantes em seis ataques contra embarcações desde o início de setembro.
Além da morte do pescador, o governo colombiano também expressou preocupação com o caso de um sobrevivente de outro ataque dos EUA contra um suposto narco-submarino, que foi repatriado à Colômbia em estado grave de saúde. De acordo com o Ministro do Interior, o homem de 34 anos estava em uma embarcação que foi bombardeada, resultando na morte de duas pessoas. O ministro informou que o sobrevivente será processado por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas.
A relação entre Petro e os Estados Unidos tem sido tensa, apesar de os EUA serem o principal parceiro comercial da Colômbia. O presidente colombiano tem criticado a política antidrogas dos EUA e defendido uma abordagem diferente para combater o narcotráfico na região.
O governo do Equador ainda não se pronunciou sobre o caso do narco-submarino, apesar da afirmação de que um cidadão equatoriano também estava a bordo. Especialistas questionam a legalidade dos ataques com uso de força letal em águas internacionais contra suspeitos que não foram detidos ou interrogados.





