A Nova Ferroeste, projeto ferroviário ambicioso que prometia revolucionar a logística no Centro-Sul do país, parece ter estacionado em meio a indefinições e entraves burocráticos. A iniciativa, que visa interligar Maracaju ao Porto de Paranaguá, transformando o escoamento da produção agrícola e reduzindo custos de transporte, enfrenta um futuro incerto.
Questionado sobre o andamento do projeto, o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) declarou que não há novidades sobre a implantação da ferrovia.
Desde 1980, estudos já vislumbravam a chegada de um ramal ferroviário em Mato Grosso do Sul. O projeto, considerado estratégico para o agronegócio, foi retomado em 2014, com estudos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em agosto de 2020, os governadores de Mato Grosso do Sul e Paraná formalizaram um termo de cooperação para viabilizar a ferrovia. Desde então, o projeto acumulou planos, audiências públicas e anúncios, mas nenhuma obra foi iniciada em solo sul-mato-grossense.
O projeto original previa a construção de uma ferrovia entre Maracaju e Cascavel, a revitalização do trecho existente entre Cascavel e Guarapuava, a construção de uma nova ferrovia entre Guarapuava e Paranaguá, e um ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu. O investimento estimado era de R$ 8 bilhões, com R$ 3 bilhões destinados às obras no estado.
Com um traçado total de cerca de 1.567 quilômetros, a Nova Ferroeste expandiria a atual Ferroeste, que opera entre Cascavel e Guarapuava, conectando Maracaju a Paranaguá, com ramais até Foz do Iguaçu e Chapecó. No Mato Grosso do Sul, seriam 333 quilômetros de extensão, passando por oito municípios.
O projeto também incluía a criação de um corredor multimodal, integrando rodovias e terminais de carga, com capacidade inicial para movimentar até 35 milhões de toneladas por ano. O investimento total, superior a R$ 35 bilhões, seria financiado por meio de concessão à iniciativa privada, com contrato de 99 anos.
A ferrovia prometia reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade do agronegócio e melhorar o escoamento da produção de grãos de Mato Grosso do Sul e Paraná.
A expectativa de lançamento do edital de concessão em 2024 não se concretizou, e o governo estadual não tem abordado publicamente o tema desde então. A indefinição sobre a Malha Sul, atualmente sob concessão da Rumo Logística, é um dos principais obstáculos. A integração entre os dois trechos é fundamental para o transporte até o Porto de Paranaguá, mas o governo federal ainda não decidiu se renovará o contrato com a concessionária ou se abrirá nova licitação.
O licenciamento ambiental também se tornou um gargalo, pois o traçado da ferrovia atravessa áreas consideradas sensíveis, incluindo 18 comunidades indígenas. Em 2023, a Semadesc informou que o processo estava em fase de consulta e diálogo com a Funai, com previsão de emissão da licença prévia pelo Ibama.






