Comando Vermelho tenta ganhar território do PCC no Estado

Investigação revela que o Comando Vermelho (CV) intensificou, nos últimos anos, a busca por espaço em Mato Grosso do Sul, desafiando o domínio do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região. A disputa acirrada pelo controle do território é motivo de preocupação para as autoridades estaduais.

A identificação de celulares em uma cela na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, há três anos, escancarou o movimento da facção carioca para se estabelecer em Mato Grosso do Sul.

O governador Eduardo Riedel (PP), ciente da gravidade da situação, participou de uma reunião com outros governadores para discutir estratégias de segurança pública. Ao retornar, Riedel enfatizou a necessidade de maior integração entre as polícias estaduais e federais para enfrentar os grupos criminosos que já controlam áreas no Estado.

“Temos um problema seríssimo de segurança pública no Brasil. Fui ao Rio de Janeiro entender o que está acontecendo, pois a conexão é direta. Aqui estão o Comando Vermelho e o PCC, e temos uma fronteira que é rota de ilícitos, como drogas e armas”, declarou o governador.

Em 2022, uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) já havia apontado a articulação do CV para criar uma cúpula e expandir sua influência nos presídios locais, rivalizando com o PCC. A investigação revelou a identificação de 13 nomes envolvidos na liderança da facção no Estado.

Apesar da presença do CV em Mato Grosso do Sul devido à sua localização estratégica para o tráfico de drogas e armas, a investigação inédita de 2022 revelou o esforço de organização da facção no território.

A investigação apontou que a entrada dos celulares no presídio pode ter sido facilitada por servidores, devido ao rigor da unidade. O chefe do grupo seria um detento do Rio de Janeiro, enquanto o segundo na hierarquia seria natural do Mato Grosso do Sul.

Após um período de relativa calmaria, as forças de segurança registraram novamente tensão entre as facções, especialmente nas fronteiras do Estado. Execuções em cidades como Coronel Sapucaia, Coxim e Ponta Porã evidenciam a disputa territorial.

Segundo o Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, o PCC domina a maior parte do Estado, mas o CV já estabeleceu “ilhas” em algumas regiões, como Coxim e Coronel Sapucaia.

No presídio federal de Campo Grande, a situação é inversa: apenas membros do Comando Vermelho são designados para a unidade, como é o caso de Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. A penitenciária deverá receber novos membros da facção transferidos do Rio de Janeiro.

Investigações indicam que o CV detém o controle em diversos estados brasileiros, incluindo Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas, Alagoas, Ceará, Distrito Federal, Tocantins e Mato Grosso.

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