A China implementou uma nova regra que exige que influenciadores digitais comprovem qualificação formal para criar conteúdo nas áreas de finanças, direito, saúde e educação. A medida reacende o debate sobre quem tem o direito de opinar com autoridade sobre temas que afetam diretamente a população.
A iniciativa visa elevar o nível de responsabilidade e evitar que pessoas sem preparo adequado influenciem decisões individuais e coletivas. Em um contexto de rápida disseminação de desinformação, a exigência de qualificação pode proteger usuários mais vulneráveis e fortalecer a cobrança de responsabilidade sobre quem gera conteúdo online.
No entanto, a medida também levanta preocupações. A possibilidade de o Estado se tornar o árbitro absoluto de quem “tem voz” pode ameaçar a pluralidade de opiniões, silenciar críticas e debates divergentes, além de comprometer a transparência dos critérios de qualificação e a liberdade de expressão.
Estudos indicam que muitos influenciadores que abordam temas como finanças e saúde não possuem qualificação ou base técnica, o que pode levar o público a tomar decisões erradas. Uma pesquisa de 2024 revelou que a maioria dos vídeos sobre “hacks financeiros” continha conselhos potencialmente perigosos ou incorretos. No setor de saúde, influenciadores que publicam “conselhos” médicos podem estar causando danos por não serem qualificados nem regulamentados.
Casos de influenciadores que promoveram projetos de criptomoedas que causaram perdas financeiras ou que deram conselhos de saúde inadequados reforçam os riscos de pessoas sem preparo atuarem como especialistas.
A discussão sobre a qualificação de influenciadores é relevante também no Brasil e na América Latina, onde a influência digital cresce a cada dia. É fundamental questionar quem está falando e quais interesses estão por trás da mensagem. Ao mesmo tempo, é preciso proteger a liberdade de expressão e evitar que o Estado defina quem pode opinar, garantindo a diversidade, a crítica e a inovação.





