A 12ª edição do MS Dance Fest foi palco de um momento de superação e arte, marcado pelo retorno do bailarino Kleiton Medina. Após um grave acidente de trânsito que quase interrompeu sua carreira, Kleiton, integrante do grupo Funk-se e figura importante na organização do evento, voltou aos palcos dançando em uma cadeira de rodas.
O acidente, ocorrido quatro meses antes, aconteceu quando um motorista embriagado avançou o sinal vermelho e atingiu a moto de aplicativo em que Kleiton estava. Apesar das lesões e cirurgias, o bailarino surpreendeu a equipe médica com sua rápida recuperação.
Kleiton relata que a dança foi fundamental para sua reabilitação física e mental, evitando que ele entrasse em depressão. No entanto, a ideia de voltar a dançar em uma cadeira de rodas inicialmente o assustou. “Eu resisti por meses. Achava que não estava bem para estar ali. A cadeira era estranha para o meu corpo, sabe? Eu sempre dancei em pé,” confessou.
A decisão de retornar ao palco veio ao perceber que a dança não se resume ao movimento das pernas. Nos ensaios, a emoção precedeu os passos. “Antes mesmo de decidir me apresentar, chorava vendo os ensaios do Funk-se. Os colegas me incentivaram a dançar, mas o medo me paralisava.”
Além da superação pessoal, o acidente fortaleceu laços. Sem celular no momento da colisão, Kleiton lembrou-se primeiramente do número de um amigo da dança e, em seguida, do diretor do Funk-se, Edson Clair, que o acompanharam no hospital.
Edson Clair, idealizador do MS Dance Fest, apoiou Kleiton durante todo o processo de reabilitação, insistindo para que ele participasse ativamente do evento. A coreografia apresentada contou com a participação de colegas do Funk-se e outros artistas convidados.
A apresentação de Kleiton também trouxe à tona reflexões sobre acessibilidade urbana. Ele ressalta a importância de olhar com consciência para as dificuldades enfrentadas por pessoas com mobilidade reduzida no dia a dia.
O bailarino também alerta sobre os perigos da combinação de álcool e direção, lembrando que o motorista que causou o acidente fugiu sem prestar socorro.
Para Kleiton, a dança representa um renascimento. “Dançar era dizer que eu ainda estou aqui. Independentemente da condição, todo mundo pode dançar.” Sua performance emocionou o público e transmitiu uma poderosa mensagem de resistência, inclusão e verdade. A história de Kleiton Medina é um convite à empatia e um lembrete de que a arte pode florescer mesmo diante da adversidade.





