OCDE: Brasil Cresce em 2025, Mas Desaceleração e Inflação Acendem Alerta

O Brasil deve apresentar crescimento econômico em 2025, impulsionado pela forte safra agrícola e pelo consumo das famílias, beneficiado pelo mercado de trabalho aquecido. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 é de 2,4%, número ligeiramente superior à estimativa anterior. Em 2026, a expectativa é de uma expansão de 1,7%.

No entanto, dados recentes indicam uma desaceleração da atividade econômica. O índice de atividade registrou recuo, e as vendas do varejo e a produção industrial apresentaram queda. A confiança empresarial também demonstra enfraquecimento. A expectativa é que o investimento perca força em 2026, pressionado por juros elevados e incertezas globais.

A inflação continua sendo um ponto de atenção, permanecendo acima da meta estabelecida. A projeção é que o IPCA fique em 5,1% em 2025, recuando para 4,2% em 2026 e 3,8% em 2027. Energia elétrica, alimentos e serviços são apontados como os principais fatores de pressão inflacionária. As expectativas para 2026 e 2027 permanecem acima do centro da meta, de 3%.

Diante desse cenário, a política monetária deve se manter conservadora. A expectativa é que o afrouxamento comece apenas em 2026, com trajetória gradual até cerca de 10,5% em 2027. Um mercado de trabalho aquecido e a combinação de salários em alta e déficit fiscal exercem pressão sobre os preços, exigindo a manutenção de uma postura restritiva por mais tempo.

No campo fiscal, há um risco elevado ao cumprimento das metas. O déficit permanece expressivo, e a dívida bruta – atualmente em 77,7% do PIB – deve continuar crescendo, chegando a 80,1% em 2026 e 82,2% em 2027. Será necessário um esforço adicional de consolidação, sobretudo no controle de gastos obrigatórios, para manter a dívida em trajetória sustentável. Uma eventual frustração das metas poderia ampliar a incerteza e prejudicar o investimento.

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