Partidos fecham 2025 com R$ 190 milhões em caixa para bancar eleições de 2026

Os partidos políticos brasileiros encerram 2025 com um caixa robusto para a disputa eleitoral do próximo ano. Levantamento a partir das prestações de contas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral indica que as legendas acumularam, juntas, cerca de R$ 190 milhões em recursos não utilizados ao longo do ano, valor que será direcionado majoritariamente para o financiamento das campanhas de 2026, quando estarão em jogo cargos do Executivo e do Legislativo em todo o país.

A principal fonte desse montante é o fundo partidário, verba pública distribuída mensalmente pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em 2025, o fundo somou aproximadamente R$ 1,2 bilhão, destinado à manutenção das estruturas partidárias, como pagamento de pessoal, aluguel de sedes e despesas administrativas. A legislação permite que eventuais saldos sejam transferidos para o exercício seguinte, o que favorece o planejamento financeiro para anos eleitorais.

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Caixa dos partidos cresce e soma R$ 190 milhões às vésperas do ano eleitoral. – Foto: Hugo Barreto/Metrópoles.

Além do fundo partidário, as siglas já têm garantido para 2026 o acesso a mais R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral, reservado exclusivamente para custear campanhas. Diferentemente do fundo partidário, os recursos do FEFC que não forem utilizados devem retornar ao Tesouro Nacional.

Quem mais acumulou recursos

Pelo menos seis partidos chegaram a dezembro com sobras superiores a R$ 10 milhões em caixa. O destaque é o PL, que lidera com folga o ranking. A legenda acumulou cerca de R$ 87 milhões, resultado de uma arrecadação total de pouco mais de R$ 260 milhões frente a despesas que não chegaram a R$ 175 milhões ao longo do ano.

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Na sequência aparecem o Republicanos, com cerca de R$ 45 milhões preservados, e o PP, que manteve mais de R$ 34 milhões sem utilização. Também figuram entre os maiores saldos o PDT, o PSD e o Avante.

Os dados analisados ainda podem sofrer ajustes, já que algumas prestações de contas não estavam totalmente consolidadas até meados de dezembro.

Partidos que mais “pouparam” em 2025

Valores acumulados em caixa (R$ milhões)

  1. 1. PL

    R$ 87,3 mi

  2. 2. Republicanos

    R$ 45,4 mi

  3. 3. PP

    R$ 34,2 mi

  4. 4. PDT

    R$ 21,2 mi

  5. 5. PSD

    R$ 12,2 mi

  6. 6. Avante

    R$ 11,6 mi

Estratégias e diferenças entre as siglas

No caso do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, parte relevante do superávit teve origem em valores não utilizados por sua fundação de formação política, o Instituto Álvaro Valle. Uma mudança na legislação, feita há mais de uma década, permite que recursos eventualmente não gastos pelas fundações partidárias retornem às contas da legenda, podendo ser aplicados inclusive em campanhas eleitorais. Apenas neste ano, a devolução superou R$ 37 milhões.

O Republicanos, por sua vez, combinou economia de despesas com ganhos financeiros. A sigla recebeu pouco mais de R$ 88 milhões do fundo partidário e ainda obteve receitas extras com rendimentos de aplicações feitas em exercícios anteriores, o que ampliou o saldo disponível.

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O PP também apresentou comportamento semelhante, com gastos significativamente inferiores ao total recebido, preservando parte expressiva dos recursos para o próximo ciclo eleitoral.

Situação oposta no PT

Enquanto partidos de centro e direita chegam fortalecidos financeiramente a 2026, o PT seguiu caminho diferente. Mesmo sendo detentor de uma das maiores cotas do fundo partidário, cerca de R$ 126 milhões transferidos ao longo do ano, a legenda terminou 2025 com déficit próximo de R$ 1 milhão.

O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou despesas superiores à arrecadação, o que elimina a possibilidade de carregar sobras relevantes para o financiamento das campanhas do próximo ano.

O que a legislação permite

A lei dos partidos políticos autoriza que os recursos do fundo partidário e também as doações privadas recebidas pelas legendas sejam mantidos em caixa para utilização futura. Essa prerrogativa, no entanto, é restrita às siglas que superam a cláusula de desempenho, seja pelo percentual mínimo de votos válidos em âmbito nacional, seja pela eleição de um número mínimo de deputados federais distribuídos pelo país.

Na prática, o acúmulo de recursos em anos não eleitorais tornou-se uma estratégia central de planejamento das legendas, garantindo maior poder de fogo financeiro na disputa seguinte, especialmente em um cenário de campanhas cada vez mais dependentes de recursos públicos.

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