Tenente da PM preso por atirar em motorista tentou forjar furto do próprio carro, diz polícia

O tenente da Polícia Militar Renan Albuquerque de Melo, preso neste sábado (27), suspeito de atirar contra um motorista de aplicativo, tentou ofuscar o crime, criando uma narrativa falsa de furto do próprio carro, segundo a Polícia Civil. O crime ocorreu no dia 19 de dezembro, motivado por um desentendimento no trânsito.

Tenente da Polícia Militar Renan Albuquerque de Melo foi preso neste sábado (27), suspeito de atirar contra um motorista de aplicativo. - Foto: Reprodução
Tenente da Polícia Militar Renan Albuquerque de Melo foi preso neste sábado (27), suspeito de atirar contra um motorista de aplicativo. – Foto: Reprodução

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Caio Albuquerque, a falsa denúncia de furto do carro foi registrada pela esposa do policial militar. No entanto, durante o andamento das investigações, a polícia concluiu que se tratou de uma comunicação falsa de crime, com o objetivo de dificultar a identificação da autoria da tentativa de homicídio contra o motorista de aplicativo.

A versão apresentada pelo casal foi descoberta após a análise de imagens de câmeras de segurança que mostraram o tenente entrando em um posto de combustíveis e em uma loja de conveniência com o próprio carro que, supostamente, teria sido furtado. As imagens, segundo a polícia, comprovaram que o veículo permaneceu sob posse do militar, desmontando a narrativa apresentada inicialmente.

A Justiça também determinou medidas cautelares contra a esposa do policial, incluindo busca e apreensão e a quebra do sigilo telefônico. Além da acusação de homicídio tentado qualificado, o tenente deve responder por falsa comunicação de crime e por fraude processual.

O que diz a Polícia Militar

Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos. O tenente ficará custodiado no Batalhão da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam).

A corporação afirmou ainda que o militar já responde a um procedimento anterior e está submetido a um Conselho de Justificação, afastado das funções e com o porte de arma suspenso desde janeiro de 2025.

A PM ressaltou que não compactua com qualquer tipo de crime ou atividade ilícita praticada por seus integrantes.

Entenda o caso

Conforme as investigação, o motorista de aplicativo, que estaria parada no sinal vermelho, teve a traseira do carro atingida pelo veículo do policial. Em seguida, já com o sinal aberto, a vítima parou o carro logo à frente para ver o que teria acontecido, momento em que o policial teria ultrapassado o veículo da vítima, dado ré e batido, propositalmente, na parte frontal do carro da vítima (assista abaixo).

O motorista de aplicativo acompanhou o carro do policial por algumas ruas da região para entender o motivo da ação. No entanto, segundo a polícia, o policial parou o carro, desceu com a arma em punho e realizou os disparos em direção ao carro da vítima, que foi atingida na cabeça e na perna.

Após a ação, o policial teria fugido do local do crime e a vítima, mesmo baleada, conseguiu se dirgir até uma unidade de saúde. O motorista foi socorrido, encaminhado ao Hospital Municipal de Cuiabá e, atualmente, está em casa após ter recebido alta médica.

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