A inadimplência do agronegócio de Mato Grosso do Sul com os bancos e demais fornecedores aumentou significativamente nos últimos três anos. De acordo com os dados da Serasa Experian, o número de pedidos de recuperação judicial no setor cresceu exponencialmente no período.
O ano passado foi o mais difícil para os produtores rurais, com 216 pedidos de recuperação judicial no setor, o que é 118% superior ao de 2024 e 756% maior que os pedidos de recuperação judicial de 2023. Segundo Frederico Poleto, diretor de ciência de dados Agro da Serasa Experian, os fatores que influenciam na disparada dos pedidos de recuperação judicial são variados.
Entre os motivos estão o aumento da taxa Selic, uma mudança de mercado que resultou em queda de preços, o real mais valorizado e a instabilidade externa, como guerras em países produtores de petróleo e de fertilizantes, o que afeta os custos de produção e espreme ainda mais a margem do produtor rural. Além disso, há também fatores climáticos que impactam de forma bem específica.
A soja, por exemplo, teve os preços historicamente mais altos em 2020-2022, com custos baixos de grãos, fertilizantes, defensivos e operacionais. De 2022 a 2025, os preços caíram muito por uma oferta que aumentou muito mais rápido do que a demanda, e os custos subiram por guerras, fatores internacionais, câmbio, inflação, dentre outros. Então, por mais que a produtividade mantenha bons patamares, a margem ficou espremida, ainda mais para arrendatários e para quem precisa financiar os custos no mercado.






