A corrida presidencial no Brasil tem gerado discussões sobre a presença do eleitor mediano, um conceito central na ciência econômica. O teorema do eleitor mediano, formulado pelo economista escocês Duncan Black na década de 1940, sugere que candidatos com potencial de vitória devem direcionar suas campanhas ao centro do espectro ideológico. Em democracias que operam com regras de maioria, afastar-se desse centro pode resultar em votos perdidos para a concorrência.
O matemático Harold Hotelling, em 1929, ilustrou essa ideia com uma analogia sobre sorveteiros em uma praia. Ambos os vendedores, ao buscarem o melhor local para atrair clientes, acabam se posicionando no centro da faixa de areia, o que demonstra a lógica da competição. Contudo, essa metáfora não se aplica perfeitamente ao contexto político, onde as preferências dos eleitores não seguem uma distribuição uniforme. No Brasil, com mais de 155 milhões de eleitores, a realidade revela um eleitorado polarizado, com dois picos representando a esquerda e a direita.
As candidaturas dos ex-governadores de Goiás e Minas Gerais ao Executivo Federal estão evidenciando essa polarização. Ambos os candidatos têm explorado temas que atraem a atenção do eleitor, como segurança pública, combate à corrupção e modernização do Estado. Além disso, a defesa da anistia ao ex-presidente Bolsonaro sugere uma tentativa de conquistar o eleitor que se afasta de Lula da Silva e do recente ex-presidente.
A complexidade do cenário eleitoral atual levanta a questão sobre o que realmente deseja o eleitor. Existe a possibilidade de que muitos não queiram que o Estado resolva todos os seus problemas, mas sim que crie um ambiente propício para que possam desenvolver suas próprias soluções. Essa perspectiva está alinhada ao conceito de desenvolvimento humano, que transcende a mera atuação econômica do governo.
A política, no entanto, não pode ser reduzida a questões econômicas, como enfatizou James Carville na campanha de Bill Clinton em 1992, ao afirmar "É a economia, estúpido." As emoções, identidades e divisões tribais desempenham um papel crucial na política, desafiando a lógica e a racionalidade. Neste contexto, é essencial lembrar o alerta do Nobel de Economia Amartya Sen, que em "Identidade e Violência" adverte sobre os perigos de se adotar uma única identidade tribal que busca eliminar outras para se afirmar.
Steven Pinker também destaca a importância de dois instintos fundamentais do ser humano: o instinto de sobrevivência e a racionalidade. A preservação dessas características é vital para evitar a insensatez que pode surgir em meio a divisões acentuadas. Em um cenário tão polarizado, a busca pela moderação e pelo entendimento pode ser o caminho para um futuro mais coeso na política brasileira.




