Nas primeiras horas do dia, a expectativa entre os turistas cresce à medida que buscam avistar a onça-pintada, um dos símbolos do Pantanal. Historicamente vista com receio por conta de conflitos com a pecuária, a espécie agora se destaca como uma estrela do ecoturismo, contribuindo significativamente para a economia local. Em 2023, a bióloga Carolina Kara Prange, que atua na fazenda Caiman, afirmou que a maioria dos visitantes chega ansiosa para ver as onças, sem os medos que costumavam ter.
O processo de transformação da imagem da onça no Pantanal foi gradual e exigiu anos de pesquisa e monitoramento. A habituação, que começou em 2012 sob a supervisão de Lilian Rampim, Gerente de Ciência e Ecoturismo da Onçafari, permitiu que a equipe se aproximasse dos animais de forma segura. Inicialmente, os pesquisadores mantinham uma distância de 200 metros, mas, com o tempo, foram capazes de se aproximar a apenas 12 metros, graças a um trabalho cuidadoso de estímulos e observação. Esse método ajudou a construir a confiança das onças, permitindo que o turismo se desenvolvesse de maneira sustentável.
A onça-pintada não é apenas uma atração; é um elemento crucial para o ecoturismo na região. Estima-se que a presença desse animal no turismo gere uma receita que pode ser até 52 vezes maior do que a obtida com a pecuária. Os visitantes não apenas se encantam com a possibilidade de avistar as onças, mas também se interessam por sua individualidade, uma vez que cada animal possui características únicas, como suas rosetas e comportamentos. Para Carolina Prange, a complexidade das onças as torna fascinantes e dignas de estudo.
Entretanto, a conservação desse ambiente está ameaçada por projetos de infraestrutura, como a proposta de construção de uma rodovia que ligaria os Pantanais de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Essa iniciativa, discutida desde 2024, tem gerado preocupações sobre os impactos negativos no Parque Estadual Encontro das Águas, que é considerado um berçário para as onças-pintadas. Fernando Tortato, pesquisador que acompanha a situação, alertou que a construção da rodovia poderia resultar em aumento do tráfego de veículos pesados, colocando em risco a fauna local, já que atropelamentos de animais são comuns em outras rodovias da região, como a BR-262.
O futuro do ecoturismo no Pantanal depende não apenas da preservação das onças, mas também da proteção de seu habitat. O turismo sustentável, que promove a conservação e a educação ambiental, representa uma alternativa viável à exploração predatória, destacando a importância de preservar a biodiversidade e os ecossistemas locais para as gerações futuras. Assim, a onça-pintada, que um dia foi vista com temor, agora é reconhecida como um dos maiores tesouros naturais do Pantanal, capaz de atrair visitantes e gerar receitas significativas para a região.






