Projeções da China indicam queda nas importações e preocupam Mato Grosso do Sul

A China anunciou que reduzirá a importação de soja, carnes bovinas, suínas e lácteos em volumes consideráveis até 2035, com início previsto para 2026. A informação foi divulgada pelo Ministério da Agricultura do país no relatório Agricultural Outlook 2026–2035, publicado nesta segunda-feira (20). Essa decisão pode trazer consequências para Mato Grosso do Sul, que tem na China seu maior comprador da oleaginosa e da proteína bovina.

Conforme o relatório, a importação de soja deverá apresentar uma queda de 6,1% neste ano, com uma projeção de redução total de 26,2% até 2035, quando se espera atingir 82,5 milhões de toneladas. No ano passado, o volume importado foi de 111,8 milhões de toneladas. No que diz respeito às carnes bovinas, as compras externas devem sofrer uma retração de 3,9% já em 2026.

A China tem investido em tecnologia para aumentar a produtividade e a produção em sua agropecuária, visando a segurança alimentar e a autossuficiência. No primeiro trimestre deste ano, das 1,747 milhão de toneladas de soja exportadas por Mato Grosso do Sul, 1,399 milhão de toneladas, ou 80%, foram destinadas ao mercado chinês. Em termos financeiros, a participação da China foi ainda mais significativa: dos US$ 713,252 milhões em receitas, US$ 569,499 milhões, correspondendo a 79,85% do total, vieram desse mercado.

Em relação à carne bovina desossada e congelada, a China adquiriu 42,13% do volume embarcado pelo estado, o que equivale a 26,841 mil toneladas de um total de 63,704 mil toneladas. A receita gerada também foi substancial, com 42,24% representando US$ 152,465 milhões de um total de US$ 360,986 milhões.

De acordo com Aldo Barrigosse, especialista em comércio exterior, essa redução nas importações reflete uma estratégia do governo chinês para fortalecer a produção local e diminuir a dependência de fornecedores internacionais. Barrigosse observa que essa política pode impulsionar a pecuária e a indústria de proteínas na China, resultando em mais empregos no campo e no fortalecimento dos frigoríficos locais.

No entanto, ele ressalta que a redistribuição das exportações não ocorrerá de forma rápida, exigindo uma abordagem estratégica para abrir novos mercados e fortalecer acordos internacionais. Barrigosse enfatiza que, caso a China avance rapidamente na diminuição das importações, países como o Brasil, que dependem fortemente desse comércio, podem enfrentar oscilações significativas nas exportações e na geração de receita.

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