Caminhada em Campo Grande protesta contra feminicídio e clama por mudanças sociais

Na manhã de 21 de abril, uma caminhada em Campo Grande reuniu um grande número de participantes no centro da cidade, com foco na luta contra a violência de gênero e o feminicídio. A mobilização teve início na Praça Ary Coelho e seguiu até a Praça do Rádio, com predominância feminina em um ato de homenagem às vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul e no Brasil. Somente neste ano, onze mulheres foram assassinadas em decorrência de feminicídio no estado.

O evento foi promovido por mulheres e amigas da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que foi encontrada morta a tiros em sua residência, fato que gerou grande comoção na sociedade e no âmbito da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. A morte da policial trouxe à tona discussões sobre a violência contra as mulheres e a necessidade de um olhar mais atento para essa questão.

Denise Benevides Schneider, uma das organizadoras do ato e amiga da subtenente, expressou sua indignação em relação à morte da amiga. Ela ressaltou que a sociedade, em vez de oferecer apoio, frequentemente julga as vítimas sem entender suas realidades. Para Denise, a luta contra a violência não se limita ao âmbito doméstico, mas deve ser encarada como uma questão de saúde pública.

Durante a caminhada, o deputado estadual Coronel David (PL) fez um discurso emocionado, no qual criticou a cultura de culpabilização das vítimas e fez um apelo à sociedade, especialmente aos homens, para que se engajem na luta. Ele enfatizou que a caminhada era uma homenagem a uma mulher que irradiava alegria e que, infelizmente, se tornou mais uma vítima da violência que afeta tantas mulheres.

O deputado também chamou a atenção para a baixa presença masculina no ato, reforçando que a transformação no comportamento social deve começar entre os homens. Ele destacou que a responsabilidade nunca recai sobre as mulheres, mas sim sobre os agressores, e criticou discursos que tentam transferir a culpa para as vítimas. "Quando alguém disser que a mulher deveria ter conhecido melhor o parceiro, rebata. Ninguém entende as questões do coração", afirmou.

Além da homenagem, o ato teve como objetivo principal a conscientização sobre a seriedade da violência doméstica e do feminicídio. Coronel David declarou que iniciativas como a caminhada são essenciais para fomentar o debate público e promover mudanças na cultura. Para ele, a solução está na mudança de comportamento e consciência dentro da sociedade, começando nos lares e nas escolas.

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