Uso de Canetas Emagrecedoras e Seus Riscos à Saúde: o que Você Precisa Saber

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando uma proposta de instrução normativa que estabelece procedimentos e requisitos técnicos para medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A discussão ocorre esta semana, em um contexto onde a utilização dessas canetas, que incluem princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, se tornou comum, mas também resultou em um aumento no mercado ilegal e no uso sem supervisão médica.

Diante dos riscos que esses medicamentos podem representar para a saúde, a Anvisa implementou diversas ações para combater o comércio ilegal, que abrange até versões manipuladas sem a devida autorização. Para fortalecer a fiscalização e garantir a segurança dos pacientes, a agência formou grupos de trabalho voltados ao controle sanitário e à proteção da população.

Recentemente, a Anvisa, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), firmou uma carta de intenção que visa promover o uso seguro e racional das canetas emagrecedoras. Este esforço conjunto tem como objetivo prevenir riscos associados a produtos e práticas que não seguem as normas estabelecidas, assegurando a saúde dos brasileiros.

Em entrevista, Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), destacou que o uso de canetas emagrecedoras para o tratamento de obesidade e diabetes representa um avanço significativo. Contudo, ele expressou preocupação com o uso indiscriminado desses medicamentos, ressaltando que, embora sejam eficazes e potentes, a automedicação pode trazer complicações.

Dornelas alertou que efeitos colaterais, como náuseas, podem afetar entre 30% e 40% dos usuários, embora muitos não apresentem nenhum sintoma adverso. Ele enfatizou que a ausência de efeitos colaterais não indica que o medicamento não esteja funcionando, e que entre 60% e 70% dos pacientes não relatam problemas.

No entanto, ele também mencionou que sintomas mais graves, como náuseas intensas, vômitos e dor abdominal persistente, podem ser sinais de alerta. A dor na parte superior do abdômen, em particular, deve ser avaliada com cuidado, pois pode indicar, embora raramente, a possibilidade de pancreatite, uma condição que requer atenção médica imediata.

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