No último domingo, uma onça-pintada conhecida como Corumbella foi removida da área urbana de Corumbá e levada para um local remoto na região da Serra do Amolar, no Pantanal. Esta operação representa um marco inédito no Brasil, ressaltando a importância da integração entre ciência, tecnologia e engajamento social para reduzir os conflitos entre grandes felinos e a população local.
O planejamento da remoção durou cerca de quatro meses e contou com a colaboração de 10 instituições. Para o deslocamento do animal, foi utilizado um helicóptero do Exército Brasileiro, que percorreu mais de 200 km. A onça recebeu um colar GPS/VHF, que tem um custo estimado em R$ 70 mil. Este equipamento permitirá o monitoramento do animal em um território de quase 300 mil hectares, com a expectativa de acompanhamento por pelo menos 12 meses.
O colar GPS, que utiliza o Sistema de Posicionamento Global, capta a localização da onça por meio de satélites, transmitindo coordenadas de latitude e longitude para um servidor. Além disso, o sistema de rádio Very High Frequency (VHF) emite sinais que podem ser captados por pesquisadores com equipamentos apropriados. A região onde a onça foi solta está na fronteira entre Brasil e Bolívia, o que garante que a localização do animal possa ser determinada independentemente do país.
De acordo com o Grupo Técnico Onça Urbana Corumbá-Ladário, que congrega 26 instituições, essa abordagem inovadora permite um monitoramento pós-soltura, o que já não era comum em resgates anteriores. A integração de tecnologia, pesquisa e participação social está gerando dados relevantes sobre a espécie e fortalecendo a conservação da fauna local.
Os pesquisadores destacam que o Pantanal enfrenta sérios desafios, como os incêndios florestais que ocorreram em 2020 e 2024, resultando em perda de habitat e diminuição das presas naturais. Em 2023, o Mapbiomas registrou uma redução de água em 261 mil hectares na região, o maior índice no Brasil. Esses fatores, somados à expansão urbana e à presença de animais domésticos, aumentam a probabilidade de encontros entre onças e humanos.
Corumbella, que vinha atacando animais domésticos há mais de um ano, foi capturada no sábado e, após passar por exames que confirmaram sua saúde, recebeu o colar para monitoramento e foi solta em uma área de 300 mil hectares. Essa ação é um passo importante para a preservação da espécie e a convivência pacífica entre a fauna e a população local.






