No início de 2026, Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário alarmante com um aumento de 90% nas tentativas de feminicídio em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa escalada da violência contra a mulher é um reflexo de uma realidade preocupante, que não pode ser ignorada. Em 2025, o Brasil registrou mais de 1.500 feminicídios, o que significa uma média de quatro mulheres assassinadas a cada dia apenas por serem mulheres.
O feminicídio não deve ser tratado como um "crime passional", pois essa terminologia distorce a gravidade da situação e encobre a verdadeira natureza do problema. Ele é o resultado de um ciclo de violência que muitas vezes se inicia de forma silenciosa dentro de casa. É crucial que a sociedade reconheça que cada vítima carrega a Imago Dei, a imagem de Deus, e que cada ato de violência contra uma mulher é uma afronta direta à dignidade humana.
A dignidade feminina não é uma concessão cultural ou estatal, mas um direito divino. Negar esse valor é uma forma de rebelião espiritual. Dentro desse contexto, a mensagem do Evangelho se torna uma confrontação, conforme o apóstolo Paulo orienta Em Efésios 5:25, onde maridos são exortados a amar suas esposas como Cristo amou a Sua Igreja.
Esse princípio bíblico de entrega contrasta fortemente com a distorção que se observa nos casos de feminicídio, que representam um "Sacrifício Invertido". Enquanto Cristo deu a Sua vida para oferecer vida, os agressores optam por eliminar a vida de suas parceiras para preservar seu ego. O Evangelho clama para que os homens abandonem o orgulho e o desejo de controle, promovendo um ambiente onde as mulheres possam viver e prosperar.
A Justiça tem um papel fundamental em punir os agressores e conter a violência, mas a missão da igreja vai além disso. Ela deve confrontar a cultura que permite a existência dessa violência, oferecendo acolhimento e compreensão às mulheres que sofrem. É necessário que a igreja forme homens que compreendam que amar é servir, e não controlar.
A mensagem deve ser clara, tanto em púlpitos quanto fora deles. Não existe teologia que justifique a opressão. Onde Cristo é verdadeiramente seguido, nenhuma mulher deve ser tratada como descartável. Em um ambiente onde o amor de Cristo é vivido de maneira genuína, a vida da mulher deve ser protegida com a mesma seriedade com que Cristo protege a Sua Igreja.






