Um estudo recente realizado pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, revelou que 4 em cada 10 brasileiros com 16 anos ou mais, o que corresponde a 41,2% da população, reconhecem a presença de facções criminosas ligadas ao tráfico ou a milícias em seus bairros. Isso representa cerca de 68 milhões de pessoas em todo o Brasil. A pesquisa indica que a atuação desses grupos não é vista como um fenômeno isolado, mas sim como uma realidade que permeia a vida cotidiana de uma parte significativa da população, afetando a convivência social e a confiança nas instituições de Segurança Pública.
A pesquisa também trouxe à tona a diferença regional na percepção da presença do crime organizado. Nas capitais, essa percepção é ainda mais elevada, com 55,9% dos entrevistados afirmando que há atividade criminosa em suas comunidades. A presença de facções é mais notável em áreas com maior densidade populacional, onde os mercados ilícitos são mais robustos e as disputas territoriais são intensas. Assim, a atuação desses grupos se expandiu, deixando de ser um problema restrito às grandes cidades e se difundindo para áreas menores, tanto urbanas quanto rurais.
O documento revela que facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que emergiram em grandes centros urbanos como o Rio de Janeiro e São Paulo, ampliaram suas atividades para cidades médias e pequenas. Essa expansão se deu por meio de rotas logísticas, parcerias com grupos locais e estratégias de inserção em mercados ilícitos e lícitos. O movimento observado está alinhado com as transformações nas dinâmicas criminosas ao longo dos anos, que incluem a nacionalização de facções entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, além da circulação de lideranças entre os presídios federais a partir de 2006.
Além disso, a pesquisa sublinha a crescente rivalidade entre as principais facções, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde a popularização da cocaína e a queda nos preços têm intensificado a luta pelo controle das rotas de tráfico, especialmente nas regiões de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Essa disputa entre o PCC e o Comando Vermelho resulta em conflitos violentos, afetando diretamente a segurança local.
Os dados ainda mostram que, em algumas situações, a população pode estar se referindo a grupos menores, como gangues que atuam no tráfico de drogas em nível local. A presença desses grupos, muitas vezes, é percebida por meio de pontos de venda de entorpecentes e pela movimentação de indivíduos armados. Em outras circunstâncias, essa percepção remete a uma estrutura mais organizada de facções ou milícias, que exercem controle territorial visível, como barricadas para bloquear a entrada da polícia e imposição de regras sobre circulação e horários, restringindo a liberdade de movimento dos moradores.






