A competitividade e a sanidade animal são fundamentais para o aumento da participação do leite brasileiro no mercado internacional, conforme enfatizou o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Guilherme Portella. Durante o Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira, realizado na quinta-feira (14/05), ele destacou que, enquanto a sanidade é um pré-requisito para a exportação, a competitividade é o fator que garante a permanência no mercado.
No evento, que ocorreu Na Fenasul/Expoleite, em Esteio (RS), Portella afirmou que o Brasil possui um grande potencial produtivo para se destacar entre os principais produtores mundiais, mas enfrenta desafios estruturais que precisam ser resolvidos. "Exportar exige competitividade sistêmica. O futuro do leite brasileiro depende da integração entre produtores, indústria, entidades e governos", ressaltou. Ele também mencionou que o Rio Grande do Sul é um estado estratégico, sendo a terceira maior bacia leiteira do Brasil, com um crescimento anual significativo na produção. Entre 2004 e 2024, a produção de leite no estado aumentou de 2,36 bilhões para 4,03 bilhões de litros por ano, representando 11,28% da produção nacional e 2,81% do PIB gaúcho, com um valor estimado de R$ 19,86 bilhões.
Portella, representando a indústria, destacou a necessidade de enfrentar questões como custos logísticos, complexidade tributária, variações cambiais e a urgência de melhorias em escala, tecnologia e assistência técnica. Ele também solicitou uma resposta imediata da União sobre o Programa Mais Leite Saudável, enfatizando que uma política pública eficaz não deve ser vista como um custo, mas sim como um investimento que gera competitividade.
Além disso, o presidente do Sindilat/RS chamou a atenção para a urgência de medidas de proteção ao mercado interno, especialmente em relação à crescente importação de produtos lácteos do Mercosul, com destaque para a Argentina e o Uruguai. Nos primeiros quatro meses de 2026, aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo foram importadas, o que equivale a cerca de 709 milhões de litros de leite, representando 60 dias de produção no Rio Grande do Sul.
O Seminário de Sanidade em Pecuária Leiteira, realizado no auditório da Casa da Sanidade Animal do Fundesa, contou com a participação de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do setor produtivo, da indústria e de entidades do segmento lácteo.






