O dólar voltou a registrar alta nesta sexta-feira (15), encerrando o dia cotado a R$ 5,067, o que representa uma valorização de R$ 0,081, equivalente a 1,63%. Este é o maior valor da moeda estadunidense em um período de um mês. Em contrapartida, a bolsa brasileira viu uma queda significativa, refletindo um cenário de incertezas tanto no ambiente externo quanto nas questões políticas internas.
O aumento na cotação do dólar foi impulsionado por um movimento de aversão ao risco global, que se acentuou devido à guerra no Oriente Médio, à pressão inflacionária que elevou as expectativas de aumento de juros no Japão e ao agravamento das tensões políticas No Brasil. Durante o dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,08 por volta das 13h, mas encerrou o pregão em queda, acumulando uma alta de 3,48% na semana, embora tenha caído 7,70% em relação ao ano de 2026.
As turbulências também afetaram o mercado de ações, onde o índice Ibovespa, da B3, fechou em 177.284 pontos, com uma redução de 0,61%. O índice enfrentou pressão durante todo o dia, refletindo um ambiente internacional mais cauteloso, além de crescentes preocupações fiscais e políticas No Brasil. Durante a manhã, o Ibovespa chegou a registrar uma queda superior a 1%, mas conseguiu reduzir perdas ao longo do dia, sustentado em parte pelas ações da Petrobras.
No cenário internacional, o fortalecimento do dólar é resultado de fatores como a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) eleve os juros nos Estados Unidos, em resposta à inflação global, que está sendo pressionada principalmente pela alta do petróleo e pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irã e os Estados Unidos. Essa expectativa se intensificou após os juros dos títulos públicos do Japão subirem, atingindo o maior nível desde 1999, com os papéis de dez anos alcançando 2,37% e os de 30 anos passando a marca de 4%.
Os preços do petróleo também subiram mais de 3%, influenciados pela escalada de tensões no Oriente Médio e pela falta de progresso nas negociações relacionadas ao Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte de aproximadamente 20% do petróleo mundial. O barril do Brent encerrou o dia em alta de 3,35%, sendo negociado a US$ 109,26, enquanto o barril WTI, do Texas, subiu 4,2%, atingindo US$ 105,42. Essas oscilações de preço foram impulsionadas por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou que sua paciência em relação ao Irã estava se esgotando, enquanto o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, reafirmou a desconfiança de Teerã em relação a Washington, condicionando qualquer negociação à seriedade dos americanos.
A manutenção da crise no Golfo Pérsico continua a gerar preocupações sobre a inflação global, o que pode pressionar ainda mais as taxas de juros e aumentar a volatilidade nos mercados financeiros.






