O secretário municipal de Governo de Campo Grande, Ulisses Rocha, abordou novamente, neste sábado (16), a controvérsia em torno de suas declarações sobre um suposto boicote de servidores da Saúde na distribuição de medicamentos nas unidades públicas da cidade. Em entrevista, ele reiterou que suas afirmações estavam embasadas em "fatos" e mencionou a existência de uma sindicância e de um processo administrativo em andamento. Ele esclareceu: "A minha fala foi sobre fatos. Tem alguns servidores que negaram uma espécie de medicamento, isso gerou uma sindicância e tem processo administrativo em curso. Minha fala foi especificamente sobre fatos, ela não foi especulando nada".
As declarações de Ulisses Rocha geraram repercussão negativa, especialmente após as críticas da vereadora Luiza Ribeiro, do PT, e do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (SinMed-MS). A vereadora acusou o secretário de afirmar que servidores estariam ocultando medicamentos em unidades de saúde para prejudicar a imagem da gestão da prefeita Adriane Lopes. Luiza Ribeiro cobrou provas concretas das acusações, incluindo a apresentação de procedimentos administrativos conclusivos, e alertou sobre a possibilidade de uma ação judicial por calúnia caso não sejam comprovadas as alegações.
A vereadora classificou as declarações como graves e lamentou a atribuição de responsabilidade pela falta de medicamentos aos trabalhadores da Saúde. Em contrapartida, o vereador Beto Avelar, do PP e aliado da prefeita na Câmara Municipal, defendeu Ulisses Rocha, afirmando que realmente houve um caso em que medicamentos para diabetes foram escondidos em uma unidade de saúde.
O SinMed-MS, em nota divulgada recentemente, considerou "inadmissível" acusar trabalhadores da Saúde sem a apresentação de provas concretas. A entidade ressaltou que os profissionais enfrentam desafios diários, como sobrecarga de trabalho, falta de estrutura e as dificuldades crônicas do sistema público de saúde. Além disso, o Conselho Municipal de Saúde também se posicionou, classificando as acusações como graves e exigindo esclarecimentos formais da Secretaria Municipal de Saúde.
Até o presente momento, não foram apresentadas publicamente evidências que sustentem as declarações feitas por Ulisses Rocha, o que intensifica a necessidade de um esclarecimento da administração municipal sobre o tema.






