O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) destinada a eliminar a escala de trabalho 6×1 precisará ser analisada nas comissões da Casa. Alcolumbre destacou que o Senado deve aprimorar o texto enviado pela Câmara dos Deputados, enfatizando a necessidade de um debate cuidadoso sobre a matéria. "Quero dizer, como presidente do Senado, que essa proposta vai ter que tramitar nas comissões porque as cobranças de todos os senadores sobre a presidência são que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão", declarou ele.
A declaração de Alcolumbre ocorreu em resposta a um questionamento do senador Styvenson Valetim (Podemos-RN), que solicitou uma previsão para a votação da PEC. O presidente do Senado afirmou que a proposta deve ser discutida sem pressa, com a participação de todos os setores da sociedade. Ele mencionou que a definição sobre o processo de tramitação será feita após uma reunião de líderes programada para a próxima semana. "Tenho certeza absoluta de que seria razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância", completou.
Alcolumbre criticou a pressão para que a PEC, que também propõe a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, fosse analisada de forma apressada. Ele afirmou que não está “a favor nem contra a PEC, mas sim a favor do debate”, ressaltando que não é aceitável que o Senado simplesmente valide um texto que passou pela Câmara sem a devida discussão. "Não é razoável que a Câmara dos Deputados passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil e o Senado seja obrigado a carimbar um texto aprovado na Câmara", observou.
Enquanto isso, lideranças governistas têm defendido que a proposta seja apreciada ainda em junho, sem modificações em relação ao que foi aprovado na Câmara. Caso o Senado decida alterar o texto, a PEC terá que retornar para uma nova análise na Câmara. Por outro lado, a oposição apresentou uma proposta alternativa que visa manter a jornada de trabalho atual, permitindo contratos por hora trabalhada. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), manifestou sua contrariedade à redução da jornada de trabalho no Brasil.
Alcolumbre também abordou a questão das votações em anos eleitorais, afirmando que, muitas vezes, o que é considerado razoável não pode ser realizado devido ao calendário eleitoral. O presidente do Senado informou que pretende discutir a tramitação da PEC com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), uma vez que o texto deve passar por essa comissão inicialmente. O relator da PEC ainda não foi definido.






