Advogada é investigada por fraudes em cirurgias neurocirúrgicas em operação da PGE

A Operação Neuro Complexus, que investiga fraudes na judicialização de neurocirurgias, trouxe à tona a atuação da advogada Luciana Tosta Quintana Ribas, considerada parte do núcleo jurídico do esquema. O prejuízo total estimado gira em torno de R$ 6,5 milhões. Além da advogada, o inquérito também envolve três médicos e um policial civil aposentado, que atuava como intermediário entre os profissionais de saúde e a advogada.

Desde 2023, Luciana já estava sob a vigilância da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) devido aos altos gastos públicos relacionados a cirurgias caras realizadas na rede privada, sempre com autorização judicial. Um relatório da PGE, divulgado em fevereiro de 2025, revelou que a advogada movia 32 ações judiciais. Essas ações permitiam que seus clientes forçassem o poder público a arcar com os custos de operações e acompanhamento pós-operatório, que chegavam a ser superiores a R$ 300 mil. Os orçamentos desses procedimentos apresentavam diferenças de apenas 5% entre si, conforme apontado no relatório.

Os pacientes atendidos pela advogada eram aqueles que comprovavam estar em situação de risco, sem condições financeiras para pagar pelos serviços na rede particular ou aguardar por uma vaga no SUS (Sistema Único de Saúde). Em uma entrevista realizada em fevereiro de 2025, Luciana afirmou que os orçamentos eram de responsabilidade de seus clientes e que ela não se beneficiava dos pagamentos feitos pelo poder público, limitando-se a receber honorários que variavam de R$ 1 mil a R$ 3 mil por causa ganha.

No entanto, em março de 2022, Luciana concedeu uma entrevista ao Campo Grande News, onde relatou a difícil situação enfrentada por pacientes de baixa renda que a procuravam, tanto na Capital quanto no interior do estado. A advogada mencionou que seus honorários eram ainda menores, com um teto de R$ 2.500, podendo ser parcelados em até 10 vezes. Ela também destacou que recebia honorários sucumbenciais, pagos pela parte perdedora das ações.

Na última quinta-feira, dia 18, a equipe do Campo Grande News visitou o escritório de Luciana, conforme o endereço informado em diversas ações judiciais, mas encontrou o local fechado. Em outro endereço, a reportagem deixou material informativo sobre a investigação. O delegado Alexandro Mendes de Araújo, responsável pela Deccor, afirmou que a operação visa desmantelar a estrutura que possibilitou o desvio de recursos públicos, ressaltando que o esquema prejudica a saúde básica da população.

A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Poder Judiciário. Com os materiais coletados durante as diligências, a investigação prosseguirá em relação ao crime de lavagem de dinheiro. A ação contou com a colaboração das equipes da Garras, Decco e Derf. No caso da advogada, as atividades de busca e apreensão foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil). O nome da operação, Neuro Complexus, faz referência à complexidade dos procedimentos médicos envolvidos e à estrutura articulada entre os participantes para obter recursos públicos de maneira indevida por meio da judicialização da saúde.

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