Conflito entre produtores e ambientalistas marca proposta de refúgio em MS

A proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Delta do Salobra, que pode abranger mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá, tem gerado controvérsias entre produtores rurais e órgãos ambientais em Mato Grosso do Sul. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é o responsável pela iniciativa, que visa proteger uma área considerada crucial para a Conservação da Biodiversidade, especialmente na transição entre os biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.

Os produtores rurais, por sua vez, têm manifestado preocupações quanto à condução do processo, solicitando mais transparência sobre os impactos que a criação do refúgio pode acarretar em suas propriedades e nas atividades econômicas locais. O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena emitiu uma nota de repúdio, argumentando que a proposta interfere diretamente na vida de proprietários rurais, trabalhadores e prestadores de serviços, além de comprometer a economia regional.

De acordo com o sindicato, a discussão sobre a criação do refúgio exige um diálogo verdadeiro e respeitoso com as comunidades locais. A entidade enfatiza que ainda existem incertezas em relação a possíveis restrições futuras que poderiam impactar o uso da terra, a ampliação de atividades produtivas, o acesso ao crédito rural e a segurança jurídica das propriedades. Além disso, o sindicato destacou que não organizou a mobilização de produtores que ocorreu durante a audiência pública em Bodoquena, ressaltando que a participação foi espontânea.

Uma das principais inquietações levantadas pelos produtores é a continuidade das atividades econômicas na área proposta. O ICMBio, por sua vez, esclarece que o modelo de Refúgio de Vida Silvestre permite a coexistência de propriedades privadas sem a necessidade de desapropriação, garantindo que os proprietários possam manter suas atividades.

O projeto também contempla a proteção de 42 espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a arara-azul e o cervo-do-pantanal. Além disso, busca criar um corredor ecológico que interligue a Serra da Bodoquena, o Pantanal e áreas de conservação até o Chaco paraguaio.

O ICMBio ressalta que a criação da unidade pode trazer benefícios tanto ambientais quanto econômicos para a região. Entre os aspectos positivos, destacam-se o fortalecimento das ações de prevenção e combate a incêndios florestais, a ampliação do turismo de natureza e a possibilidade de acesso a instrumentos como pagamento por serviços ambientais e créditos de carbono. Após a criação da unidade, está prevista a formação de um conselho gestor, com a participação de produtores rurais e representantes de diferentes setores, para discutir as regras e prioridades de gestão do refúgio.

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