Um relatório preliminar de auditorias financeiras e contratuais, realizado após a intervenção do Município no Consórcio Guaicurus, revelou que uma das empresas do consórcio possui dívidas que somam R$ 20 milhões. Essas dívidas são com instituições financeiras e fornecedores, incluindo empresas fornecedoras de combustíveis. A intervenção teve início no dia 16 de junho e os dados foram apresentados pelo interventor-geral, Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, durante uma reunião na Câmara Municipal de Campo Grande nesta segunda-feira (6).
De acordo com Alexandro Oliveira, essa dívida expressiva tem gerado um aumento nos custos operacionais para garantir a continuidade dos serviços prestados. Ele destacou que, uma vez estabilizada a prestação de serviços, o foco será aprofundar as auditorias contratuais e financeiras, com o objetivo de identificar falhas na prestação de serviços ao longo do período.
Além das questões financeiras, o relatório apontou problemas de gestão, com uma frota considerada antiga e descumprimento de cláusulas contratuais. Os interventores também identificaram deficiências na operação, com a manutenção preventiva sendo quase inexistente, uma vez que apenas manutenções corretivas estão sendo realizadas. O interventor-geral mencionou que o sistema de operação do consórcio é muito antigo, o que gera dificuldades em termos de eficiência e fluxo de trabalho dentro da empresa.
Durante a reunião, vereadores levantaram a questão da caducidade do contrato em razão dos descumprimentos identificados. Alexandro Oliveira esclareceu que, nesse momento, ainda não há informações suficientes para tomar uma decisão sobre o contrato, sendo necessário apurar todos os detalhes e provas antes de chegar a qualquer conclusão.
O objetivo inicial da intervenção é tranquilizar passageiros, funcionários e fornecedores, enquanto se busca informações sobre a situação do Consórcio Guaicurus. Neste período, a gestão do consórcio está sob responsabilidade dos interventores, que também têm a incumbência de cuidar da folha de pagamento e da manutenção do sistema, entre outras tarefas. É importante ressaltar que a intervenção não contará com novos aportes financeiros, além dos repasses mensais já realizados ao consórcio.
Ao final do período de intervenção, a prefeita tomará decisões com base no relatório final dos interventores e nos resultados dos procedimentos administrativos. As opções incluem o encerramento da intervenção e a devolução dos serviços à gestão atual do consórcio, com ou sem condicionantes, a aplicação de sanções contratuais, a decretação da caducidade da concessão e a adoção de outras medidas administrativas e judiciais pertinentes.






