A trajetória política de Reinaldo Azambuja em Mato Grosso do Sul se destaca pela durabilidade e influência ao longo de três décadas, passando por cargos como prefeito de Maracaju, deputado estadual, deputado federal e governador por dois mandatos. Sua maior conquista, no entanto, foi a formação de um grupo político capaz de perdurar mesmo após o fim de sua gestão. A eleição de Eduardo Riedel, em 2022, marcou um novo capítulo na política estadual, uma vez que, pela primeira vez, um governador transferiu seu capital político a um sucessor que não possuía uma trajetória eleitoral própria, rompendo a tradição de alternância no comando do Estado. Riedel ascendeu ao governo, em grande parte, pela credibilidade que construiu como gestor e pela força do projeto político que Reinaldo liderou, mais do que por um patrimônio eleitoral individual.
Atualmente, Riedel se consolidou administrativamente, apresentando índices de aprovação favoráveis e mantendo um governo de perfil técnico que dialoga com diversos setores econômicos. Se o ambiente político permanecer favorável, ele deve buscar a reeleição em uma posição confortável. No entanto, a força administrativa não garante, por si só, a liderança política. Enquanto Reinaldo continua a desempenhar um papel crucial na articulação de alianças e negociações partidárias, Riedel ainda se mostra cauteloso na formação de um grupo político que seja verdadeiramente seu.
Durante seu mandato, Riedel promoveu mudanças em sua equipe de governo, ampliando o espaço para auxiliares de sua confiança e começando a imprimir suas características pessoais na administração. Essas ações são naturais para quem busca consolidar uma identidade política, sem desconsiderar o projeto que o levou ao governo. Contudo, a construção de um grupo político vai além de simplesmente montar uma equipe; envolve a formação de lideranças, a criação de vínculos de lealdade e a projeção de candidatos competitivos que se identifiquem diretamente com o governador, e não com seu antecessor.
Apesar de Riedel avançar na construção de sua identidade, sua liderança política ainda é compartilhada com Reinaldo. Essa convivência, até o momento, tem garantido estabilidade ao bloco governista, mas um desafio se aproxima. Se Riedel conquistar um segundo mandato, ele precisará decidir se continuará a administrar um grupo cuja principal liderança permanece com Reinaldo Azambuja ou se usará os próximos anos para cultivar uma nova geração de aliados alinhados com seu projeto.
A história revela que governos são temporários, enquanto grupos políticos duradouros são formados pela capacidade de gerar sucessores, repartir protagonismo e desenvolver novas lideranças. Reinaldo demonstrou essa habilidade ao eleger um sucessor inesperado. Resta saber se Eduardo Riedel conseguirá seguir essa mesma linha ou se permanecerá como o principal gestor de um projeto político cuja liderança continua a ser comandada por outra figura.






