Servidor exonerado por corrupção lidera nova regulação do SUS em Mato Grosso do Sul

Um mês antes de ser um dos principais alvos da investigação da Operação Gutenberg, Ed Carlo Britto Burgatt, de 51 anos, foi designado para integrar a Comissão Estadual de Monitoramento e Avaliação da Política Estadual de Incentivo Financeiro Hospitalar (CEMAP). Essa comissão tem como objetivo unificar a regulação hospitalar de Campo Grande e de todo o Mato Grosso do Sul. Juntamente com Ed Carlo, outros 11 servidores das superintendências de Atenção à Saúde, Governança Hospitalar, Gestão Estratégica, Auditoria, Controle e Avaliação no SUS, Vigilância em Saúde e da Coordenadoria de Planejamento e Programação Orçamentária foram convocados para fazer parte do grupo.

Conforme as informações divulgadas, a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) aprovou a criação de uma Central Única de Regulação da Urgência e Emergência, que irá abranger as macrorregiões de Campo Grande e Três Lagoas. Essa nova estrutura, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Saúde, visa consolidar as várias centrais de regulação existentes, centralizando a gestão do acesso aos leitos hospitalares do SUS voltados para casos de urgência e emergência.

A implementação da Central Única ocorrerá em quatro etapas: diagnóstico das estruturas já existentes, integração das equipes e sistemas, execução das mudanças e, por fim, monitoramento dos resultados. A Secretaria de Estado de Saúde espera que essa iniciativa resulte em uma redução no tempo de resposta para pacientes em estado grave, elimine a duplicidade de processos e melhore a transparência nas decisões, além de otimizar o uso de recursos públicos.

Na época da sua designação, Ed Carlo exercia a função de coordenador de Regulação Assistencial de Leitos, um cargo estratégico que envolve a gestão das vagas hospitalares na rede pública estadual. Ele foi um dos 16 alvos da Operação Gutenberg, que foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). As investigações apuram um suposto esquema de fraudes em contratos públicos, que teria desviado aproximadamente R$ 27 milhões da área da Saúde.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga a participação de Ed Carlo em uma organização criminosa, que é acusada de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em contratações públicas. As apurações indicam que empresários teriam cooptado agentes públicos para direcionar compras, especialmente na área da Saúde e na aquisição de livros paradidáticos, enquanto os recursos obtidos de forma ilícita eram distribuídos de maneira a dificultar o rastreamento.

Em virtude do seu envolvimento com o grupo investigado, Ed Carlo foi exonerado pelo Governo de Mato Grosso do Sul. Além disso, uma auditoria será realizada na Secretaria Estadual de Saúde. A administração estadual reafirmou seu compromisso com políticas de compliance e transparência, ressaltando que a Controladoria-Geral do Estado acompanhará as investigações em colaboração com a Secretaria de Saúde. A auditoria se concentrará na análise dos procedimentos administrativos relacionados às áreas afetadas pela operação.

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