Esquema criminoso manipula filas de exames do SUS em Mato Grosso do Sul

Um esquema de corrupção em Mato Grosso do Sul permitiu que cerca de 25 mil pessoas que aguardam por exames no Sistema Único de Saúde (SUS) fossem prejudicadas em seu atendimento. O esquema, que beneficiava seis municípios, foi desmantelado na terça-feira, 16, durante a Operação Gutenberg, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A investigação revelou que o coordenador estadual de Regulação Assistencial do Complexo Regulador Estadual (Core) da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlos Britto Burgatt, utilizava sua posição para favorecer prefeituras em troca de contratos fraudulentos. A organização criminosa prometia vagas de internação, cirurgias e exames em troca da contratação de uma empresa parceira para fornecer livros, que serviam como fachada para dividir os lucros dos contratos.

Entre as empresas envolvidas estão a Gráfica Alvorada e a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.). O MPMS identificou que o grupo usava a influência de servidores na saúde pública para condicionar a autorização de procedimentos médicos à aquisição dos livros, evidenciando a gravidade do esquema.

O levantamento feito em fevereiro de 2024 pelo MPMS apontou que mais de 25 mil pessoas aguardavam exames essenciais, como tomografias e ressonâncias magnéticas, enquanto o esquema criminoso ainda operava com contratos ativos em diversos municípios. Os R$ 27 milhões obtidos pela organização foram distribuídos entre os integrantes, servidores corrompidos e outras pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

Além dos aspectos financeiros, o caso também trouxe à tona relatos de usuários do sistema de saúde. A Aposentada Shirley Ferreira, que enfrentou dificuldades para obter atendimento após múltiplas fraturas, relatou ter que brigar com atendentes para conseguir a assistência necessária. Outro caso é o de Alisson Manoel, de 22 anos, que, após um acidente de moto, não conseguiu realizar um raio-X mesmo após aguardar por horas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Esses relatos refletem a realidade enfrentada por muitos cidadãos que dependem do SUS e evidenciam o impacto negativo da corrupção na saúde pública, que deveria ser um direito garantido a todos os cidadãos. O MPMS segue investigando o caso e as implicações do esquema criminoso na assistência à saúde no estado.

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