Dezenas de milhares de buracos têm causado transtornos para motoristas em Campo Grande, refletindo a necessidade urgente de serviços de tapa-buracos. A administração municipal aponta a falta de recursos como a principal razão para a dificuldade em realizar essas manutenções. Essa situação é, em parte, explicada pela diminuição nos repasses de ICMS do Governo do Estado para a prefeitura. Nos primeiros seis meses de 2022, o ICMS gerou R$ 261,1 milhões para os cofres municipais, enquanto no mesmo período de 2023, o valor foi ligeiramente superior, totalizando R$ 261,7 milhões. Apesar desse aumento nominal de R$ 600 mil, a inflação acumulada de 4,64% nos últimos 12 meses resultou em uma perda real de aproximadamente R$ 11,5 milhões para o município. Esse montante seria suficiente para custear os serviços de tapa-buracos por dois meses, considerando que o gasto médio mensal é de R$ 6 milhões.
Ao comparar os primeiros semestres de 2024 e 2025, observa-se que o “congelamento” nos repasses não estava previsto, uma vez que no ano anterior houve um aumento de 9,6%. Embora os repasses constitucionais do governador Eduardo Riedel (PP) tenham diminuído, a prefeita Adriane Lopes (PP) não apresenta motivos para descontentamento em relação ao desempenho financeiro geral da prefeitura, visto que outras fontes de receita mostraram crescimento significativo. Dados disponíveis na transparência municipal revelam que as receitas totais do primeiro semestre aumentaram em 8,6%, quase o dobro da inflação, passando de R$ 3,072 bilhões para R$ 3,337 bilhões. Isso representa um acréscimo de R$ 265 milhões em relação ao ano anterior, resultando em um incremento mensal de R$ 44 milhões. Com um custo de apenas R$ 6 milhões para os serviços de tapa-buracos, a situação financeira da prefeitura parece relativamente estável.
Mudanças na cobrança do IPTU também contribuíram para o aumento na arrecadação, já que um número maior de contribuintes está optando por pagar o imposto parceladamente. O desconto para pagamento à vista foi reduzido de 20% para 10%, o que resultou em um incremento médio de R$ 15 milhões entre março e junho em relação ao mesmo período do ano anterior. No que diz respeito ao Imposto Sobre Serviços (ISS), a arrecadação cresceu ainda mais, com um aumento de 14,1%. No primeiro semestre de 2022, foram arrecadados R$ 326,4 milhões, enquanto em 2023 esse valor atingiu R$ 372,6 milhões, resultando em um acréscimo nominal de R$ 46,4 milhões.
Embora a prefeita Adriane Lopes tenha justificativas para expressar insatisfação em relação ao congelamento dos repasses do Governo Riedel, a situação não se repete em relação às transferências do Governo Lula. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) apresentou um aumento nominal de R$ 11,9 milhões no primeiro semestre, um valor próximo ao que foi perdido nos repasses estaduais. Em 2022, a prefeitura de Campo Grande recebeu R$ 158,5 milhões do FPM, e em 2023, esse montante subiu 7,5%, totalizando R$ 170,4 milhões.






