Aquecimento e redução de chuvas ameaçam o Pantanal até 2070

Mudanças Climáticas previstas nas próximas décadas podem impactar significativamente um dos principais processos ecológicos do Pantanal. De acordo com projeções, até 2070, algumas regiões do bioma podem registrar um aumento de temperatura superior a 2,5°C e uma redução de até 200 milímetros nas chuvas, especialmente na porção norte, onde se localizam áreas essenciais para nascentes e recarga hídrica, fundamentais para o ciclo de cheias do ecossistema.

Os efeitos dessas Mudanças Climáticas serão sentidos na Agricultura Familiar, na biodiversidade local e na dinâmica das cheias em todo o Pantanal. Esses dados foram revelados no estudo intitulado "Mudanças Climáticas e Agricultura Familiar no Pantanal da América do Sul", conduzido por Luciana Vicente Silva, especialista em Ecologia e Conservação. A pesquisa foi realizada na Paisagem Modelo Pantanal, entre Corumbá e Ladário, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, e combinou entrevistas com agricultores familiares e análises de mapas climáticos.

O estudo estabelece uma correlação entre as Mudanças Climáticas e seus impactos na Agricultura Familiar, propondo estratégias que podem fortalecer a adaptação no território. As projeções foram elaboradas com base no cenário climático RCP 4.5, que considera um esforço intermediário para a redução das emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas. Mesmo assim, a pesquisa antecipa um aumento da temperatura em todo o Pantanal até 2070.

Além do aquecimento, as previsões indicam uma alteração na distribuição das chuvas, tradicionalmente concentradas na parte norte do Pantanal. Para 2070, essa dinâmica pode sofrer mudanças, com uma diminuição das chuvas no norte e um leve aumento no sul, especialmente nas áreas próximas a Porto Murtinho e Corumbá.

A pesquisadora Luciana Vicente ressalta que a preocupação não se limita à quantidade de chuvas, mas também abrange a necessidade de implementar soluções para mitigar os efeitos das Mudanças Climáticas. O estudo reconhece as iniciativas já adotadas por agricultores, como ajustes nas práticas de plantio, reorganização do uso da água e a troca de espécies mais vulneráveis por variedades resistentes ao calor e à seca.

Um dos objetivos centrais da pesquisa foi valorizar o papel dos agricultores na busca por soluções adaptativas. Vicente enfatiza que os conhecimentos e experiências dos agricultores são essenciais para enfrentar as Mudanças Climáticas. Os resultados obtidos podem servir de base para orientar políticas públicas voltadas à segurança hídrica, fortalecimento da Agricultura Familiar, ampliação da assistência técnica e restauração ambiental, entre outras ações.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest