A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta para um esquema de fraudes envolvendo a venda de livros paradidáticos a prefeituras, que liga a família Jafar a crimes ocorridos em Mato Grosso do Sul. A Operação Gutenberg, que se desdobrou a partir da Operação Lama Asfáltica, revela como a Editora Avante, fundada em 2021, se tornou parte central do esquema. A proprietária da editora, Rhayane Souza Fanaia, é citada como uma figura chave na trama, que se tornou ainda mais suspeita após a morte de Micherd Jafar Júnior, proprietário da Gráfica e Editora Alvorada.
A relação de Rhayane com Giovanni Paroschi Jafar, filho do falecido empresário, levanta questionamentos sobre a verdadeira natureza de sua participação na empresa. O capital social da Editora Avante é de apenas R$ 40 mil, o que contrasta com a magnitude dos contratos firmados, que incluem um valor de R$ 1.444.355,00 para a prefeitura de Miranda, registrado em julho de 2022. Além disso, a editora recebeu R$ 586.862,50 de Ivinhema e, em um aditivo contratual, o valor totalizou R$ 874.130,00. Em Ladário, o faturamento foi de R$ 459.286,00.
A apuração do Gaeco também revelou que a Editora Avante faturou cerca de R$ 5 milhões em contratos com diversas prefeituras, todas com dispensa de licitação. O relatório da investigação sugere que Rhayane poderia estar atuando como uma “laranja”, o que é reforçado pela discrepância entre seu estilo de vida e os valores envolvidos nas transações.
Os sigilos bancários e fiscais da editora e de sua proprietária foram quebrados, e a investigação identificou transferências financeiras suspeitas. Rhayane, por exemplo, informava sua sogra, Rossana Paroschi Jafar, sobre a chegada dos valores provenientes das prefeituras. Rossana, também presa, é apontada como interlocutora de Heyder Bartz, outro investigado.
Os investigadores notaram que Rhayane realizava grandes saques em espécie, estratégia que poderia ter como objetivo dificultar a rastreabilidade do dinheiro, que alimentaria um esquema de corrupção. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ficou surpreso com o fato de a Editora Avante ter distribuído valores a mais de quarenta pessoas e empresas, incluindo a sócia Jéssyca Burgatt, que recebeu cerca de R$ 50 mil.
Entre os beneficiários das transferências, estão Paulo Henrique de Melo e Douglas Henrique de Mello, pai e filho, além de Franscisco Anizio dos Santos, que possuía uma oficina de carros. Outro nome mencionado é o advogado Gabriel Taquino de Paula, que fazia parte de um conselho que avaliava licitações em 14 prefeituras. A complexidade do esquema e a quantidade de envolvidos indicam uma rede extensa de corrupção e lavagem de dinheiro, conforme apurado pelo Gaeco.






