A enfermeira aposentada Lenir Ximenes, de 74 anos, realizou uma viagem de Fortaleza, no Ceará, para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com o intuito de acompanhar e cuidar de seu neto, Vitor Ximenes, de 30 anos. A visita, que durará 15 dias, é especialmente significativa, pois Vitor passou por uma mastectomia masculinizadora no início deste mês e está em fase de recuperação.
Vitor, que se identifica como homem trans desde os 17 anos, relata que levou mais de uma década para revelar sua identidade de gênero publicamente. Em uma conversa com a família, realizada apenas no início deste ano, ele percebeu que a recepção foi mais acolhedora do que imaginava. O jovem menciona que sua família parecia já estar ciente de sua verdadeira identidade, e ninguém ficou surpreso com a revelação. O apoio da mãe e de outros familiares foi crucial para que Vitor pudesse realizar a cirurgia no dia 1º de julho, que é um procedimento de afirmação de gênero.
A mastectomia masculinizadora, também conhecida como redesignação torácica, envolve a remoção do tecido mamário e a remodelação do tórax, permitindo que o procedimento alinhe a aparência física à identidade de gênero do paciente. Após a cirurgia, e em menos de três semanas, Vitor participou do mutirão Transformando Histórias, promovido pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, para dar início à oficialização da mudança de seus documentos. Durante todo o atendimento, Lenir esteve ao lado do neto.
Embora tenha levado um tempo para compreender a transição de Vitor, Lenir decidiu demonstrar seu apoio de maneira prática, estando presente em momentos importantes. Ela admite que inicialmente sentiu tristeza, mas ao longo do tempo se acostumou com a nova realidade e hoje entende que a identidade de Vitor sempre fez parte dele, mesmo antes de ser expressa.
A avó expressa preocupação com a forma como a sociedade trata pessoas trans, especialmente agora que Vitor está prestes a iniciar sua residência em enfermagem. Ela observa que a aceitação nem sempre é garantida e que é fundamental para ela que o neto seja feliz, apesar das dificuldades enfrentadas por pessoas trans na sociedade.
Vitor, por sua vez, demonstra compreensão em relação à adaptação da família aos novos pronomes que deve receber. Segundo ele, essa mudança é um processo que leva tempo, tanto para ele quanto para seus familiares, que o conheceram por outro nome durante toda a vida. O jovem destaca que a presença e o apoio da família são o que mais importam neste momento de transição.





