A Arauco, uma das maiores empresas de celulose do mundo, começou a produzir vespas para enfrentar a praga que ameaça suas plantações de eucalipto. A empresa, com capacidade de cultivo que varia entre 60 mil a 65 mil hectares por ano em Mato Grosso do Sul, busca uma solução sustentável para controlar a presença de pragas, especialmente as lagartas defolhadoras, que podem causar perdas significativas na produção.
A técnica de controle biológico, coordenada pela doutora Mariane Aparecida Nickele, especialista em Fitossanidade da Arauco, envolve a liberação de microvespas pasitoides. Desde fevereiro deste ano, duas espécies de vespas, Tricholpilus diatraeae e Tetrastichus howardi, estão sendo soltas nos plantios. O ciclo de desenvolvimento desses parasitoides no laboratório é de 16 a 20 dias, e os adultos que são liberados em campo têm uma expectativa de vida de cerca de 8 dias.
As vespas estão sendo criadas em Três Lagoas, no Instituto Senai de Inovação em Biomassa, que colabora com a Arauco nas pesquisas. Mariane destaca que as lagartas desfolhadoras se alimentam das folhas do eucalipto durante sua fase larval, podendo comprometer até 30% da produtividade das plantações. Esse dado é alarmante, especialmente considerando a escala da produção da Arauco.
Na região de Inocência, onde a produção de eucalipto é concentrada, as lagartas mais comuns incluem a Thyrinteina arnobia, também conhecida como lagarta-parda-do-eucalipto. Com a criação de 6 milhões de microinsetos, a Arauco espera mitigar os danos que essas pragas podem causar ao cultivo.
Além da produção de vespas, a Arauco está investindo na construção da megafábrica, denominada Projeto Sucuriú, que ficará às margens do Rio Sucuriú. Com um investimento de US$ 4.6 bilhões, a nova unidade terá capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de fibra curta de celulose anualmente. As obras começaram em 2024 e a operação está prevista para iniciar no final de 2027.
O projeto abrange uma área de 3.500 hectares e, durante a sua construção, a Arauco oferece capacitação profissional e mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Após a conclusão da fábrica, a expectativa é de que cerca de 6 mil pessoas sejam empregadas nas operações industriais, florestais e logísticas, promovendo um impacto significativo na economia local.






