Sintomas persistentes relacionados ao sistema digestivo, como dor abdominal, inchaço e produção excessiva de gases, podem indicar uma fermentação intestinal desregulada. Este tipo de alteração muitas vezes não é detectável por exames comuns, como a colonoscopia ou análises de sangue. Nesse cenário, um teste respiratório se torna uma alternativa eficaz, permitindo a identificação de problemas ao analisar gases como hidrogênio, metano e sulfeto de hidrogênio presentes no ar expirado, resultantes da fermentação no intestino.
Dois fatores principais estão associados a essa fermentação intestinal. O primeiro deles refere-se à má absorção de carboidratos, que inclui açúcares como frutose, frutanos, lactose e sacarose, encontrados em diversos alimentos, como frutas, trigo e laticínios. O segundo fator é o supercrescimento bacteriano no intestino delgado, conhecido como SIBO, que intensifica a fermentação e provoca sintomas como distensão abdominal e alterações nos hábitos intestinais, incluindo diarreia e constipação.
A gastroenterologista Karitas Matsunaga destaca que esse desequilíbrio pode afetar diretamente a qualidade de vida dos pacientes, sendo muitas vezes difícil de diagnosticar, uma vez que os sintomas são inespecíficos e podem ser confundidos com outras condições. Dados de um estudo publicado na BMC Gastroenterology revelam que, ao analisar 186 pacientes com síndrome do intestino irritável, foi constatada má absorção de frutose em 38,2% dos casos e de frutanos em 48,9%. Além disso, 22,6% dos pacientes apresentavam ambas as condições, ressaltando a possibilidade de múltiplas origens para a fermentação excessiva em um mesmo indivíduo, todas invisíveis em exames convencionais.
Os testes respiratórios que medem a presença de hidrogênio e metano são considerados seguros, de baixo custo e menos invasivos, sendo uma ferramenta importante na investigação desses distúrbios. Embora não substituam a colonoscopia, que é essencial para a avaliação de alterações estruturais, esses exames oferecem dados objetivos que ajudam na investigação e na definição de uma abordagem clínica adequada.
Uma vez confirmado o diagnóstico de intolerâncias alimentares através do teste respiratório, a gestão do quadro geralmente envolve ajustes na dieta, como a adoção temporária de uma alimentação que limite carboidratos de difícil absorção. Nos casos de SIBO, antibióticos específicos podem ser prescritos pelo gastroenterologista. Um acompanhamento multidisciplinar tende a ser mais eficaz, pois baseia-se em causas identificadas. Vera Lúcia Ângelo Andrade, gastroenterologista com Mestrado e Doutorado em Ciências, enfatiza que um diagnóstico preciso pode reduzir significativamente o tempo de consultas e tratamentos ineficazes, alterando a abordagem terapêutica de maneira substancial.






