O clima quente registrado neste fim de semana, com temperaturas próximas aos 40ºC em Mato Grosso do Sul, pode ser um indicativo das condições extremas que devem se intensificar nos próximos meses. A influência do Super-El Niño, fenômeno que resulta do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, já é notável, mas seus efeitos mais severos estão previstos para ocorrer entre outubro e novembro. Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o fenômeno trará temperaturas significativamente elevadas, especialmente para o sul do Estado.
A partir de dezembro, a região sul de Mato Grosso do Sul poderá experimentar chuvas acima da média, uma vez que o fenômeno também afeta partes do Sul do Brasil, Paraguai e Argentina. Segundo Assad, a temperatura atual já está 1,71ºC acima do normal, e a anomalia deste ano supera a do El Niño de 1997, que foi considerado o mais intenso das últimas décadas. Durante aquele período, o aumento médio era de 1,5ºC, podendo chegar a 3,2ºC no pico do fenômeno. Essa análise é baseada em um modelo que considera dados de 74 eventos de El Niño desde o século passado, permitindo uma previsão mais precisa dos impactos atuais.
Durante um seminário do Instituto Clima e Sociedade (iCS), realizado em São Paulo (SP), o especialista destacou a expectativa de ondas de calor acentuadas para a região Centro-Oeste. Essas ondas podem causar sérios problemas, como a morte de bovinos e o comprometimento da cultura da soja. Assad enfatizou que, se as ondas de calor persistirem, até mesmo o milho pode ser afetado. O plantio da nova safra de soja, programado para a segunda quinzena de setembro, já enfrenta riscos devido ao fenômeno.
O pico do Super-El Niño está previsto para coincidir com o período de plantio da soja no Brasil, que ocorre em outubro e novembro. Apesar dos desafios impostos pelo fenômeno, a expectativa é de que o Brasil mantenha uma supersafra, embora perdas significativas possam ser observadas. Assad alertou que, em situações críticas, as perdas podem alcançar 10%, o que representa cerca de 32 milhões de toneladas.
O calor intenso registrado recentemente em Corumbá, onde a temperatura superou os 38ºC, resultou em uma sensação térmica de 42ºC. Em Campo Grande, a temperatura alcançou 34,8ºC, com sensação térmica de 38ºC. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que a capital do Estado enfrentará mais calor no início da semana, com máximas de 38ºC e mínimas de 23ºC, sem previsão de chuvas para os próximos dias.
A situação climática atual, com temperaturas tão elevadas, levanta preocupações sobre a saúde do gado e a produtividade agrícola, refletindo os desafios que o setor rural pode enfrentar nas próximas semanas.




