Calor intenso marca inverno no Pantanal com temperaturas recordes

A atual onda de calor em Mato Grosso do Sul tem se mostrado mais severa no Pantanal, onde os termômetros atingiram níveis alarmantes. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) revelaram que, no último domingo, a temperatura mais alta foi de 39,9ºC, registrada na zona urbana de Corumbá. Essa marca, embora impressionante, ainda está abaixo do recorde histórico de 43,9ºC, que ocorreu em 21 de setembro de 2021, o último dia do inverno daquele ano.

Na segunda-feira seguinte, novas medições indicaram a manutenção do calor extremo, sendo essa a segunda maior temperatura da série de ondas de calor que o Brasil vem enfrentando desde 2020. O fenômeno climático, que é inesperado para a estação do ano, vem se intensificando na região desde 2020, resultando em um cenário de temperaturas elevadas no inverno, contradizendo as expectativas normais para este período.

Em 2024, um contexto semelhante ocorreu, quando os termômetros marcaram 38ºC em 28 de julho, numa época também afetada pelo El Niño. Naquele ano, Corumbá também registrou incêndios florestais, um indicativo do impacto que as altas temperaturas podem ter sobre a vegetação local. O Cemtec-MS já prevê que essa situação não será um evento isolado, com um diagnóstico que aponta para a continuidade de altas temperaturas e a possibilidade de ondas de calor severas e precoces até novembro.

O relatório divulgado pelo Cemtec-MS destaca que as condições climáticas, com altas temperaturas e um período seco, aumentam o risco de incêndios florestais no Pantanal. A combinação de calor extremo e estiagem é preocupante, pois pode criar um ambiente propício para a ocorrência e propagação de incêndios, especialmente em áreas de vegetação nativa.

No que se refere à capital do estado, Campo Grande também tem enfrentado temperaturas elevadas. Nos últimos dias, a cidade ultrapassou os 35ºC de temperatura máxima por três dias consecutivos, com o pico atingido no domingo, quando a máxima foi de 35,3ºC. Desde então, a temperatura não caiu abaixo de 35,2ºC. Para referência, a maior temperatura do verão deste ano foi registrada em 7 de fevereiro, com 34,2ºC.

De acordo com a meteorologista Valesca Rodriguez Fernandes, coordenadora do Cemtec-MS, essa onda de calor é uma consequência direta do super-El Niño que afeta a região desde junho. A especialista alerta que a situação deve se intensificar nos próximos meses, dado que as condições climáticas já indicam um padrão de calor que pode perdurar por um tempo considerável.

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