Crescimento de plantas aquáticas preocupa em Porto Primavera, terceiro maior lago do Brasil

A proliferação de plantas aquáticas no lago da hidrelétrica de Porto Primavera, localizado na região de Bataguassu, começa a gerar preocupações. Este lago, que é o terceiro maior do Brasil, com aproximadamente 230 mil hectares, pode enfrentar problemas semelhantes aos já observados no lago de 1,5 mil hectares da hidrelétrica do Mimoso, no Rio Pardo. As reclamações sobre a situação emergem em um contexto onde as plantas aquáticas se alimentam de nutrientes despejados, especialmente pela fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo.

Imagens aéreas divulgadas revelam a presença significativa de colunas de plantas flutuantes, particularmente na região da foz do Rio Pardo no Rio Paraná, nas imediações da ponte da MS-395. Durante um pronunciamento na Assembleia Legislativa, o deputado Pedro Caravina, ex-prefeito de Bataguassu, mencionou que a origem do problema está relacionada à liberação de nutrientes pela hidrelétrica do Mimoso, situada a cerca de 250 quilômetros rio acima. Esses nutrientes, especialmente o fósforo, também estão presentes nas águas que chegam a Bataguassu, onde o Rio Pardo é represado.

O lago de Porto Primavera estende-se desde Três Lagoas até Batayporã, onde se localiza a barragem. Além de desafiar a qualidade das águas, o lago recebe efluentes de outras duas fábricas de celulose, instaladas em Três Lagoas. Uma delas, a Eldorado, despeja seus rejeitos no lago de Jupiá, que, por sua vez, também apresenta aumento na quantidade de plantas aquáticas. Em julho, 18% da área do lago do Mimoso estava coberta por essas plantas, percentual que diminuiu para 12,8% em 14 de agosto, conforme informações da Elera Renováveis.

As condições de poluição nos lagos são preocupantes. O Relatório do Imasul aponta que acima da fábrica da Suzano, o Rio Pardo apresenta grau três de poluição, considerado aceitável. No entanto, após essa área, o rio é classificado como hipereutrofizado, o que representa o nível mais crítico de poluição na escala que varia de um a seis.

A Suzano assegura que seus efluentes são tratados de acordo com as normas ambientais, mas não existe uma regulamentação que defina um limite máximo de fósforo que pode ser lançado nos corpos hídricos. Apesar da legislação proibir alterações nas condições dos rios, o crescimento das plantas aquáticas continua a ser um desafio no lago de Porto Primavera, refletindo a crise ambiental que afeta a região.

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