O engenheiro civil e especialista em Projetos Urbanos, Fernando Madeira, é uma referência quando se trata de identificar soluções práticas para desafios urbanos em Campo Grande. Em uma análise do cenário atual, Madeira destaca que o orçamento público está bastante limitado, tanto em níveis federal, estadual quanto municipal, o que dificulta a realização de grandes obras. No entanto, ele acredita que intervenções simples podem trazer melhorias significativas para a vida dos cidadãos.
Entre os problemas enfrentados pela cidade, a drenagem é um dos mais críticos. Madeira sugere que a instalação de aduelas pré-fabricadas nos cruzamentos poderia ter sido implementada nas últimas décadas, especialmente durante a expansão do asfaltamento. Ele calcula que, se essa medida tivesse sido adotada, já seriam 18 mil dispositivos instalados, o que melhoraria o escoamento da água da chuva e protegeria o pavimento, evitando a concentração excessiva de água sobre as ruas.
A proposta de Madeira é que essas aduelas possam ser instaladas em áreas onde a drenagem é insuficiente ou inexistente. Ele menciona que essa solução, embora simples, poderia ter um impacto visível na cidade, especialmente em bairros que enfrentam problemas de alagamento. Além disso, a instalação dessas estruturas pode resultar em uma economia significativa para o município, ao reduzir a necessidade de manutenção constante das vias.
Outro aspecto abordado por Madeira é a questão das ciclovias. Ele defende a construção de ciclovias interligadas, em vez de apenas ciclofaixas, para garantir a segurança dos ciclistas, tanto para lazer quanto para o deslocamento ao trabalho. Essa medida é vista como uma forma de incentivar o uso da bicicleta na cidade.
A revitalização do Centro de Campo Grande também é um ponto de crítica por parte do engenheiro. Madeira afirma que a simples concessão de incentivos fiscais, como isenção de IPTU ou ISS, não é suficiente para atrair pessoas de volta à área. Ele defende que o Centro precisa de melhorias físicas e serviços que operem em horários mais amplos, já que o fechamento antecipado das lojas limita as opções de lazer e serviços para os cidadãos. Além disso, a instalação de grandes hospitais ou centros administrativos na região poderia criar um fluxo constante de pessoas, beneficiando o comércio local.




