Soluções de baixo custo para revitalizar Campo Grande são propostas por urbanista

Campo Grande, conhecida como Cidade Morena, possui uma das mais elevadas taxas de arborização entre as capitais do Brasil, rivalizando com Goiânia. Apesar da beleza de suas áreas verdes e parques, a capital sul-mato-grossense enfrenta um grave problema financeiro e uma desconexão entre a administração pública e as necessidades da população das áreas periféricas. O Urbanista Ângelo Arruda, professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sugere uma abordagem inovadora para a gestão urbana, baseada na "arquitetura do possível".

Arruda propõe um conjunto de 14 soluções práticas, de baixo custo e alto impacto social, que têm como objetivo transformar a realidade da cidade sem a necessidade de grandes investimentos ou obras complexas. De acordo com o urbanista, é essencial mobilizar a comunidade, aproveitar as estruturas existentes e priorizar ações preventivas. Ele destaca que o orçamento público é a base do desenvolvimento da cidade e enfatiza a diminuição do poder de investimento das prefeituras ao longo do tempo. "No Brasil, hoje, o presidente da República só domina 5,4% do orçamento", afirma.

Em Campo Grande, o cenário de escassez financeira é similar, com a administração enfrentando dívidas e altos custos operacionais. Para Arruda, a solução passa pela inclusão da comunidade na gestão urbana. "Não há outra alternativa senão envolver a comunidade. E essa comunidade, Em Campo Grande, é historicamente participativa", defende.

Uma das propostas inovadoras é a criação do agente comunitário participativo. Essa iniciativa visa cadastrar cidadãos aposentados entre 50 e 60 anos em bairros densamente povoados, como as Moreninhas, onde a infraestrutura já está consolidada há mais de quatro décadas. A Administração Municipal forneceria a esses voluntários um jaleco, um crachá, um boné e um celular conectado aos órgãos da prefeitura. Esses agentes atuariam como olhos da administração nas comunidades, ajudando na fiscalização de focos de lixo, na promoção de campanhas de vacinação e no apoio à segurança local.

Arruda ressalta que o objetivo não é transformar esses cidadãos em funcionários, mas sim promover sua participação ativa. "É para que eles se sintam empoderados, pois já estão aposentados e desejam contribuir com a comunidade", explica. O custo de manutenção dessa iniciativa seria praticamente nulo, compensado por benefícios diretos que poderiam ser oferecidos pela infraestrutura escolar local.

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