Na manhã deste sábado (29), um grupo de aproximadamente 150 pessoas tentou invadir um terreno de seis hectares no bairro Jardim Pênfigo, em Campo Grande, que pertence à família de Uwe Plöger, herdeiro do bilionário Grupo Melhoramentos. Os ocupantes chegaram ao local por volta das 5h, trazendo tijolos com a intenção de iniciar a construção de moradias. Contudo, a ação foi interrompida pela Polícia Militar, que interveio para desmobilizar a ocupação. Os manifestantes prometeram retornar na próxima segunda-feira (31).
Os ocupantes alegam que a área estaria abandonada e que a Justiça teria desapropriado a propriedade. Para apoiar sua reivindicação, foram apresentadas certidões e matrículas registradas, indicando que a área pertenceria à União e que o Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso teria realizado a desapropriação. Aldevir Ribeiro, um dos organizadores do movimento, enfatizou que o grupo é composto por indivíduos em situação de vulnerabilidade, incluindo famílias que enfrentam o risco de despejo e aquelas que estão inscritas há anos em programas habitacionais da Agência Municipal de Habitação de Campo Grande e da Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul.
Roney Nobre de Miranda Plöger, herdeiro do espólio e residente na propriedade, contestou as alegações dos ocupantes, afirmando que a família reside no local, cuida da chácara e mantém a criação de animais. Roney expressou sua indignação com a invasão, afirmando que a ocupação foi feita de maneira silenciosa e surpreendeu a família. "Eles não têm o direito de pegar o que é da gente. A gente trabalha para ter as coisas e daí simplesmente de um dia para a noite alguém chega e fala: ‘Não, essa área é minha’", desabafou.
Os herdeiros da propriedade ressaltam que o terreno não foi desapropriado e que a chácara é cuidada por eles desde a compra, em 1976, por Uwe Paul Otto Plöger e sua esposa, Venância Nobre de Miranda Plöger. Após a morte de Venância, em 2002, a área entrou em processo de inventário e a família aguarda a regularização da documentação para colocar o terreno à venda.
Diante da situação, a família registrou um boletim de ocorrência para prevenir novas tentativas de invasão. A ação realizada pelos ocupantes e a resposta da família evidenciam a complexidade do contexto habitacional em Campo Grande, onde a luta por moradia se intensifica em meio a disputas legais e reivindicações sociais.





