A edição gênica de microrganismos está em destaque nas pesquisas brasileiras com o objetivo de melhorar o potencial de bactérias utilizadas na fixação biológica de nitrogênio (FBN) e na produção de bioinsumos. Esses estudos visam aprimorar o desempenho desses organismos na agricultura, além de desenvolver soluções adaptadas a diferentes condições de cultivo.
A tecnologia está integrada a pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que envolvem culturas como soja, tomate, bovinos e peixes. Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja, informa que mais de 50% das submissões de edição gênica ao colegiado da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estão relacionadas a microrganismos.
Esse movimento acompanha o crescente interesse por tecnologias sustentáveis na agropecuária, como os bioinsumos. A aplicação da FBN No Brasil gera uma economia anual significativa, estimada em cerca de US$ 15,2 bilhões apenas para a cultura da soja, enquanto o País importa aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura.
Nepomuceno destaca a importância de investir em estudos que aprimorem as bactérias atualmente utilizadas nesse processo e explorem o potencial para outras culturas agrícolas. A edição gênica é uma técnica que permite localizar regiões específicas do DNA para realizar alterações, como remoção, inserção ou substituição de partes da sequência.
Uma das ferramentas fundamentais para essa técnica é o sistema CRISPR-Cas9, onde um RNA-guia identifica a região do DNA a ser modificada e direciona a enzima Cas9, que atua como uma “tesoura molecular” para realizar o corte na sequência genética desejada.
Entre as iniciativas da Embrapa, destaca-se a aplicação da edição gênica em bactérias diazotróficas, que são microrganismos capazes de fixar nitrogênio, associadas a gramíneas. Essas pesquisas visam compartilhar experiências científicas entre especialistas da Embrapa e instituições parceiras.



